A bem da Nação

XÁCARA DAS MOÇAS DONZELAS

(*)


A noite é de estrelas


Pelo céu brilhando


E as moças donzelas


As moças donzelas


Rezando rezando:


 


Não vem um ladrão


Não vem um banqueiro


Ou um trovador


Ou um cavaleiro


 


A noite é de estrelas


Pelo céu ardendo


E as moças donzelas


As moças donzelas


Dizendo dizendo:


 


Não vem um senhor


De alto coturno


Não vem um polícia


Ou o guarda-nocturno


 


A noite é de estrelas


Pelo céu luzindo


E as moças donzelas


As moças donzelas


Sorrindo sorrindo:


 


Não vem um amigo


Ou um inimigo


Não vem um soldado


Não vem um mendigo


 


A noite é de estrelas


Pelo céu redondo


E as moças donzelas


As moças donzelas


Supondo supondo:


 


Não vem um vadio


Ou um peregrino


Ou um saltimbanco


Ou um assassino


 


A noite é de estrelas


Pelo céu profundo


E as moças donzela


As moças donzelas


Sozinhas no mundo


 


 Eduíno de Jesus


 


in Os Silos do Silêncio (Poesia, 1948-2004), Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005, pp. 63-64.


 


(*)http://www.google.pt/imgres?q=mo%C3%A7as%2Bdonzelas%2Bsonhadoras&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=ihE51rgmDpQEdM:&imgrefurl=http://orebate-martaperes.blogspot.com/2010/03/poetas-e-o-dia-internacional-da-mulher.html&docid=OfsNNTCKJFEhFM&imgurl=https://cdn.blix.pt/uploads/blogs/3706/2026-06/img_93fb2bd3351e.jpg&w=400&h=398&ei=aWPnT_P4M8u4hAeUnIDMCQ&zoom=1&iact=hc&vpx=282&vpy=207&dur=3899&hovh=224&hovw=225&tx=140&ty=134&sig=109573699884915906692&page=2&tbnh=163&tbnw=158&start=25&ndsp=20&ved=1t:429,r:11,s:25,i:186

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