A bem da Nação

VIA CRUCIS – O CAMINHAR DA PESSOA CONSCIENTE – 2

 


VIA SACRA


 


Na seguinte texto vou reflectir um pouco no sentido da espiritualidade da via crucis. Inicialmente meditava-se sobre as 8 estações do calvário referidas nos evangelhos; posteriormente mais ampliadas.


 


A semana santa, tal como a cruz do calvário, são vias de espiritualidade. Na observação da cruz não se trata de fomentar um sentimento masoquista mas de se descobrir o Cristo que é salvação e afirmação da vida alegre, independentemente do caminho-cruz. Jesus é o companheiro de vida que ajuda a integrar os opostos e as incongruências no de correr da vida.


 


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  1. Jesus é condenado à morte


 


Ao ser condenado à morte, Jesus não abre a boca; ele sabe que perante quem se arma em juiz não há argumento profundo porque o juiz segue uma visão dualística que não permite um diálogo ao nível de sujeito para sujeito (de carácter inclusivo).


 


Em todo o interrogatório das autoridades romanas e do sinédrio Jesus apenas responde a Pilatos dizendo que é o „testemunho da verdade”). Pilatos pergunta “o que é a verdade?”. Jesus não responde certamente porque sabia que Pilatos, não entenderia uma resposta que desse porque só a equacionaria no sentido do discurso de direito (racional, na tradicional mentalidade exclusiva do ou… ou); este discurso não conhece pessoas nem relação, apenas conhecem objectos e interesses, prémio ou castigo.


 


Jesus dos interesses que se juntam em torno dos juízes, do direito da política e da religião, muitas vezes à custa da relação humana e de uma verdade mais profunda. A verdade é processo e, a nível real-místico, só se encontra na relação pessoal, na inter-relação do eu e do tu com o nós.


 


O caminho do calvário é a resposta do silêncio a uma sociedade empedernida, incapaz de compreender o que é a Verdade dado esta ser relação e nunca uma abstracção intelectual a serviço deste ou daquele poder. Por tudo isto Jesus emudeceu! Só tinha a hipótese de calar, mesmo perante a boa vontade de Pilatos que perguntava num cenário de mentalidade dualista do poder, a mentalidade ordinária do dia-a-dia; uma resposta a nível de justiça só poderia contribuir para o barulho e confusão de que a lei vive.


 


(continua)


 


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 António da Cunha Duarte Justo


Teólogo e pedagogo

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