A bem da Nação

VELHICE E SOLIDÃO

 (*)


 


Velhice e solidão.


Pior? Acho que não.


 


Nada pior que a solidão


De gente esquecida


Mesmo até por aqueles


A quem deram vida


Mas que só pensam neles.


 


Velhice e solidão


Nada resta senão


A escuridão que se entranha


Nas entranhas da alma


Um silêncio que arranha


Uma amarga calma


Uma moínha a moer


Tudo e nada a doer.


 


Uma janela aberta


Num prédio da frente


Uma esperança incerta


De um dia ver gente.


 


Um telefone calado


Um vazio colado.


 


A lembrança dorida


De gente com vida


A memória nublada


De gente enterrada.


 


Uma espera constante


Que com alguma sorte


A qualquer instante


Chegue ao menos... a morte.


 


Gente que vive e morre sozinha


Que morre tão discretamente


Que até a gente vizinha


O ignora totalmente.


 


Helena Salazar Antunes Morais


 


(*)http://www.google.pt/imgres?q=velhice%2Be%2Bsolid%C3%A3o&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=D_oiiaXTYurrSM:&imgrefurl=http://cinediario.blogspot.com/2009_11_01_archive.html&docid=u4NVqSC0BTPKrM&imgurl=http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/o6d073cad/9392835_3OOz7.jpeg&w=520&h=350&ei=rmJuT5khqp_RBby8vI4C&zoom=1&iact=hc&vpx=438&vpy=275&dur=831&hovh=184&hovw=274&tx=115&ty=119&sig=109573699884915906692&page=1&tbnh=120&tbnw=177&start=0&ndsp=20&ved=1t:429,r:7,s:0

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