- DA GENEROSIDADE E DA ESCOLHA
No reino vegetal, é da condição masculina espalhar o pólen ao vento para que alcance uma ou mais congéneres femininas e assim se faça a propagação da espécie. O mesmo se diga do que acontece no meio aquático em que o macho expele as sementes para que as correntes as conduzam às fêmeas.
Em linguagem vulgar, digamos que, nos exemplos anteriores, a reprodução se faz «ao calhas», sem uma vontade consciente pois que, na maior parte daquelas espécies nem sequer há o órgão da consciência, o cérebro. Trata-se, pois, de um acto irracional sobre cuja génese, creio eu, assenta grande polémica entre Darwin e os sacerdotes. Hoje, não vou por aí. Limito-me ao cérebro, como sede da consciência da racionalidade e dos sentimentos.
Passando directamente para os mamíferos sei que todos comunicam entre si e que, uma vez domesticados, comunicam connosco, os humanos. Esta comunicação pode ser gestual, corporal e até sonora – o miar do gato, o ladrar do cão, o relincho do cavalo… transmitindo vontades, afectos e desafectos. O exemplo que melhor conheço é o da reprodução “en nature” das éguas em manada em que cada semental só é aceite por certas éguas e rejeitado (ao coice e à dentada) pelas outras. Ou seja, a evidente generosidade fecundante do cavalo é condicionada pela escolha que a égua faz do semental por que quer ser fecundada.
Exactamente como na espécie humana: o homem só vai até onde a mulher permite e tudo quanto ultrapasse essa fronteira é violação. Sim, a generosidade é masculina, mas a decisão é feminina.
E, agora, venham cá dizer qual
é o sexo forte… O masculino? Sim, para acarretar com caixotes.
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- DA ESTRADA E DAS SUAS BERMAS
Posto o homem perante um conjunto de factos, logo recorre ao seu típico raciocínio selectivo, elegendo um facto como principal e relegando todos os demais para um plano subalterno; posta numa situação equivalente, a mulher
tende a distribuir equitativamente a sua atenção por todos os factos, sem relevância especial para qualquer deles.
Ou seja, o homem define um objectivo mas corre o risco de perder a noção do conjunto enquanto a mulher tende a ter um conhecimento holístico mas corre o risco de perder o rumo. Ele olha para a estrada e ela para as bermas. Eis por que a sociedade perfeita é constituída por homem e mulher.
- DA CORRENTE DO PENSAMENTO
Como as cerejas, as palavras pegam-se umas às outras mas isso acontece por causa das ideias que lhes subjazem. As ideias, sim, são como as cerejas desde que ligadas pela lógica. A corrente do pensamento ou é lógica ou não é pensamento. O encadeamento do processo mental exije ponderação e a sua verbalização é mais rápida ou mais lenta conforme a dita ponderação, E esta, afinal, é a tomada de consciências sobre as envolvências, as bermas de há pouco. O homem fala pausadamente porque precisa de olhar para as bermas da via lógica; a mulher fala ininterruptamente porque conhece todas as bermas do caminho e, se perde o rumo, repete tudo até se reencontrar. Resta um enigma: o que leva os madrilenos a falar ao ritmo de uma metralhadora?
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- 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O conhecimento empírico é o dos factos; o conhecimento científico é o das causas.
Nestas matérias, o meu conhecimento é quase todo empírico. Venha a Ciência!
Agosto de 2023
Henrique Salles da Fonseca