A bem da Nação

Um Imperador poeta

 



 

 

                                                                   

                                  

 

Segundo o escritor Heitor Moniz, D. PedroII, o segundo e ultimo imperador do Brasil, era um homem culto, porém pacato e reservado, bem diferente de seu pai, o impulsivo e arrebatado D. Pedro I.  Mesmo tendo casado sem amor, em matrimonio arranjado, como era comum entre reis e monarcas dos séculos passados, dedicou à sua desgraciosa, porém bondosa esposa um carinho e uma amizade que podem ser constatados no poema que lhe dedicou quando ela morreu quase dois meses depois de sair do Brasil para o exílio, quando caiu a monarquia:

 

Corda que estava em harpa mal tangida

Assim te vais ó doce companheira

Da fortuna e do exílio verdadeira

Metade da minha alma.

 

De augusto e velho trono haste partida

E transplantada à terra brasileira

Lá te fizeste a sombra hospitaleira

Em que todo o infortúnio achou guarida.

 

Feriu-te a ingratidão, no seu delírio

Caíste e eu fico a sós, nesse abandono.

Do teu sepulcro vacilante círio!

 

Como foste feliz! Dorme o teu sono...

Mãe do povo, acabou-se o martírio;

Filha de reis, ganhaste um grande trono.

 

Ainda no exílio, dois anos depois, D. Pedro II iria se juntar à companheira e amiga.

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 18 de março de 2009

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