A bem da Nação

Um caso mineiro

 


 

 


Fazenda antiga de Minas Gerais

 

O mineiro é sabidamente, em qualquer nível sócio-cultural, um bom proseador e contador de casos, haja vista o grande número de escritores e poetas que Minas tem dado ao país. Do advogado e pecuarista da nossa região, Lauro Wilson Henriques, li este causo que passo a relatar.

 

Há quase 40 anos atrás era comum os fazendeiros venderem alguma rês ou capado para o "dinheirinho do dia a dia". Numa dessas ocasiões de rotineira necessidade, Arquibaldo foi ao curral cercou dois capados e os colocou na camionete. Chapéu Panamá na cabeça, canivete de boa lâmina na cinta, camisa de manga comprida, pra proteger do sol inclemente, botina brogó, sofrida, partiu para a cidade. Ia à casa de carnes do seu amigo Carrijo, comprador de animais, que não exigia na transação muitas "formalidades". Quando estava quase chegando ao seu destino cruzou na estrada com o carro dos fiscais. Surpreendido, consciência pesada, dá meia volta, pisa fundo no acelerador e retorna à fazenda, sempre com os velhos conhecidos na sua trilha. Lá chegando, quando ia recolocar os porcos no chiqueiro, a fiscalização aparece. Irritado, antes que eles falassem qualquer coisa, despejou ligeiro:

"Olhem cá vocês, os porcos são meus e eu resolvi levar eles pra dar um passeio na cidade. Tem algum problema?!"

 

Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 28/03/08

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