Que se lixe a Troika? Pelo contrário, oxalá a Troika cumpra a missão de que está incumbida!
A mentira está nessas manifestações que têm percorrido as nossas ruas, as de Atenas e as Madrid. As mesmas mentiras já se preparam para marchar pelas ruas de Nikosia, Roma, etc.
Quanto a nós e começando pela frase «o povo é quem mais ordena», já a deveríamos há muito ter substituído por «o povo é quem mais ordenha» nos impostos que o contribuinte paga até à exaustão.
Sim, todas as arengas que se ouvem nesses comícios são falácias puras. Os oradores sabem que mentem e, se não sabem, é porque são ignorantes. E como isso eu sei que não são, concluo que agem dolosamente.
O que aconteceria se a Troika nos abandonasse?
Cessávamos pagamentos sobre o exterior para acedermos a tudo o que consumimos e não produzimos na sequência directa da falta de crédito do sistema bancário nacional para poder financiar essas importações. Para além da ruptura nos abastecimentos alimentares, faltariam os medicamentos importados e os sobressalentes para os equipamentos hospitalares; o comércio automóvel cessaria de imediato e passaríamos a imitar Cuba nos seus «vintage» canibalizados sucessivamente de roubo em roubo para aproveitamento de peças e isso enquanto houvesse combustível; vencia-se TODA a dívida, interna e externa, independentemente dos prazos antes previstos; regressaríamos ao Escudo o que significaria um tsunami nos preços para níveis inimagináveis por efeito conjugado da desvalorização monetária e da escassez da oferta.
Quererão os troikófagos que continue ou basta-lhes o cenário até aqui descrito?
Eis por que não vou a essas manifestações e, quando muito, patrocinarei outras que se lhes oponham.
A Troika está em Portugal por causa dos desmandos a que a demagogia dos políticos, a voracidade dos ordenhadores e o dolo de meia dúzia de facínoras (ainda por aí à solta) conduziu o país.
BASTA de desmandos, chegou a hora de pagar o dinheiro que nos emprestaram porque nós, o país, o pedimos.
E porque não há empregos, chegou a hora de criarmos os nossos próprios postos de trabalho. Sim, bem sei que o problema está em que muitos de nós nada sabemos fazer e que fomos educados para sermos comandados, não para termos iniciativa, para querermos um emprego para toda a vida, para odiarmos o risco.
Que maçada!
Março de 2013
