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A resposta colonial à violência nacionalista africana sempre foi comedida, por exemplo, se a força policial portuguesa no 4 de Fevereiro e posteriormente no 12 de Março de 1961, respondesse com o mesmo demonismo com que o MPLA respondeu ao chamado fraccionismo do 27 de Maio 1977, muitos dos actuais dirigentes não existiriam e provavelmente não haveria movimentos de libertação durante muito tempo.
Passado cerca de meio século que a maioria dos países africanos arrancaram na ponta da espingarda a independência das potências colonizadoras (seguindo a lição do camarada Mao Tsé-Tung), se fizermos o balanço, quais foram os ganhos que os respectivos países e povos obtiveram. Poucos são os países africanos que, diremos, saíram indiscutivelmente a ganhar.
"Quando é que a independência afinal vai acabar?"- Indagou desesperado ou desapontado um septuagenário angolano nos idos anos 78-80, fatigadérrimo da guerra estúpida, de tanta crueldade e injustiça praticada pelos seus patrícios (do regime e da oposição), denominados de nacionalistas de primeira água.
Poderia África ser hoje comparada ao Inferno ou ao Purgatório? Qualquer um deles serve, Paraíso: NUNCA. Pouquíssimos países africanos (menos do que os dedos de uma mão) podem aproximar-se a tal eleição.
O ZIMBABWE
"HOJE até a Bíblia nos tiraram e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan Tchavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabweano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo. Zimbabwe no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do Continente.
ANGOLA
Por exemplo em Angola. Por vezes, quando nas datas históricas, oiço e vejo pela TV, indivíduos a mencionarem o que os colonos nos faziam, sinceramente não sei se choro de raiva ou se me mato de risada, "porque o colono fazia blá-blá-blá" – dizem eles – hoje faz-se bem pior. O colono se fez, quase que o desculpo, é ou foi colono, é branco não é meu irmão de raça, etc., agora quando o meu irmão angolano, preto como eu, (ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura) faz o que viva e denodadamente repudiávamos ao colono, esta ultima acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.
O ÊXODO
Por isso, logo após as independências africanas, verificou-se o segundo êxodo – o primeiro foi dos brancos a abandonarem África - milhões de africanos abandonaram com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença a África, a maioria arriscando literalmente as suas vidas (o filme continua até aos nossos dias), seguindo os outrora colonos, porque chegaram à conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político africano: "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar" - disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.
Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em Africa, porquê?
A JUSTIÇA EUROPEIA
Os europeus, de regresso aos respectivos países embora destroçados de dor e amargura, receberam de braços abertos muitos dos antigos carrascos dando-lhes um lar e emprego decente e uma vida digna que jamais tiveram nos países de origem: paz e sossego duradouros.
O contrário era possível? Se ainda hoje, 37 anos depois do fim da colonização, os dirigentes angolanos (por exemplo) ainda se desculpam com a presença colonial portuguesa em Angola para justificar a pobreza e outros pesares (que eles não são, nunca serão culpados) mas o colono (37 anos depois), SIM, estou seguro que, quando Angola festejar o 50º aniversário, os dirigentes angolanos ainda estarão a rogar pragas ao colono português.
Hoje, ouvimos falar de relatos arrepiantes de governação de 'preto-para-preto' em muitos países africanos; Incompetência criminosa, bajulação estúpida como doutrina, ganância e egoísmo exacerbado (primeiro eu - sempre), mentira como regra, assassinatos indiscriminados, prisões em massa, inexistência de liberdade de expressão – a 'Bíblia' citado pelo Morgan Tchavingirai. Inclusive, gritar "estou com fome" é crime passível de perder a vida.
Kamulingue e Kassule, são a prova viva do facto: vida miserável, falta de empregos, corrupção endémica, justiça injusta e totalmente parcial, cadeias horrorosamente infernais a abarrotar de jovens provenientes das classes desfavorecidas, hospitais que mais parecem hospícios, escolas que mais parecem pocilgas etc. etc.
(continua)
