A bem da Nação

REVOLUÇÕES E PARTIDOCRACIA

 (*)


 


 


Ter coragem física não é muito difícil;


o que é difícil e valioso é ter atitudes


racionais e coragem moral.”


(Armando Martins Janeira em


Introdução a “Antologia” de


Wenceslau de Morais)


 


Este mundo não é um mundo de anjos;


quem o julgar assim e for desiludido,


só tem que culpar a própria ingenuidade.”


Wenceslau de Morais .


 


 


Parece, só parece, que a democracia, será a menos pior forma de governo. Mas essa “coisa” de democracia há muito que sumiu da maioria dos governos do mundo. Sobram só uns tantinhos, que insistem, insistem, bradam, bradam, mas o seu exemplo não é seguido. Basta ver, por exemplo, a velha República DEMOCRÁTICA da Alemanha, a democracia em Angola, Congo, etc.!


 


A tal democracia representativa (algumas vezes chamada "democracia indirecta"), onde o povo expressa sua vontade (ou ignorância?) através da eleição de representantes que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram, só funciona onde o nível cultural dos eleitores for MUITO alto.


 


Ao que normalmente se assiste é a um partido, por qualquer razão maioritário, alcançar o poder, e depois governar-se; a si e sua camarilha. Quando forma coligações, o escândalo aumenta, pela constante compra de votos, ficando a esperança, ao povo, o tal eleitor, que eles um dia se entendam. Porque governar para o bem de todos, do país como um todo, sem privilegiar os compadrios, ou compartidários, isso é coisa rara. Deve ser até uma espécie louca.


 


Mas é nessa espécie que os olhos do mundo se põem, à espera do milagre acontecer em todo o lugar, ou aguardando séculos de instrução e cultura, ou através de revoluções.


 


Lembram da Revolução Francesa e os anos, largos anos, de terror e total anarquia, antes da chegada de Napoleão? Se não fosse a disciplina deste homem talvez, até hoje, a França estivesse na anarquia.


 


E a bolchique, seguida de setenta anos de profundo desprezo pelo povo, em todas as repúblicas democráticas soviéticas!


 


A famosa revolução no Irão contra o babaca do Xá, transformou uma monarquia no pior governo deste planeta: a teocracia.


 


Outra revolução “popular” foi em Cuba. Deu na democracia fidelista. Há cinquenta anos!


 


A chamada Revolução dos Cravos em Portugal, teve passagens curiosas e dolorosas. Em primeiro lugar não foi uma revolução popular, como a que assistimos, torcendo para que vencessem... na Tunísia e Egipto. Os cravos que quase não existiam em Portugal chegaram na manhã da “revolução”, de Paris, aos milhares e milhares, encomendados com a devida antecedência pelo único partido organizado, clandestino, o comunista! Uma “revolução” de capitães que não queriam a concorrência de milicianos e estavam cansados da infindável “guerra colonial”; num instante foram dominados pelos comunistas que mandaram e desmandaram, enquanto, pela violência, o que lhes era ingénito, aproveitaram para saquear o país e destruir a sua economia. Quando ao fim de alguns anos se conseguiram fazer eleições, os comunistas que dominavam tudo, ou quase, receberam 10 ou 12% dos votos, grande parte deles oriundos dos que se tinham apropriado de explorações agrícolas, indústrias, bancos, etc. Que deixaram destroçados.


 


Na Polónia, no fim da II Guerra, com o exército soviético a ocupar o país, fizeram-se eleições. Os comunistas tiveram 9% dos votos e... com os outros 91% dos canhões, ali ficaram e desmandaram até ao, esse sim famoso, movimento do Solidarinosk, que culminou com eleições livres em 1989.


 


Estava aceso o rastilho que derrubaria o Muro de Berlim e logo a seguir o regime soviético.


 


Foi uma época vivida com imensa intensidade e entusiasmo por quem queria liberdade, e por aqueles que já se sentiam livres.


 


Hoje estamos numa conjuntura semelhante. A Tunísia deu o “grito” e as monarquias/ditaduras/sultanatos/sheikatos, e outras “democracias” árabes começaram a cair, mas...


 


Ninguém ainda pode prever o que se vai passar no mundo árabe. Mas sabe-se que tanto na Tunísia, como no Egipto, e ainda na Argélia, Iemen, etc., “Los Hermanos Musulmanes” são a única força organizada! Podem não ser maioria, mas...


 


Apesar de terem sido dois movimentos populares maravilhosos, os olhos do mundo estão voltados para o desenrolar dos acontecimentos, e para a esperança de autêntica, ou quase, democracia, que todos almejam e merecem, e que seria um profundo golpe nos fundamentalistas, a Al Qaeda.


 


Em Portugal havia uma sólida estrutura administrativa que nada tinha a ver com política, nem partidos (aliás só havia um, a União Nacional) e todos os serviços funcionavam normalmente. Até isso os vermelhos conseguiram desestabilizar.


 


E nestes países árabes, será que as estruturas administrativas, que estavam fortemente manietadas, vão conseguir organizar-se e funcionar, independente de quem ficar com o poder?


 


O problema se repetirá: se um partido só ganhar a maioria, pode dar mau ou péssimo resultado. Se houver que fazer coligações e os descendentes de milhares de anos de história quiserem, MESMO, um país democrático, vão ter que continuar a sair às ruas para imporem o bem geral.


 


Que Deus, Allah, Jeová, Nzimbo ou que tenha qualquer outro nome, os ajude e proteja.


 


Vamos cantar com Verdi “Gloria all' Egipto


http://www.youtube.com/watch?v=sGJOpCkEzjU


 


Rio 13/02/2010


 


Francisco Gomes de Amorim


 


(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.treehugger.com/osama-bin-laden.jpeg&imgrefurl=http://www.treehugger.com/files/2010/10/bin-laden-floods-climate.php&usg=__r9Lrkm1JiUe3R4JiHAuf7itWYIo=&h=336&w=486&sz=41&hl=pt-pt&start=0&zoom=1&tbnid=z8N4hgKPqggewM:&tbnh=159&tbnw=213&ei=APNmTeDpB4mLswbE6bDtDA&prev=/images%3Fq%3DBin%252BLaden%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=140&oei=APNmTeDpB4mLswbE6bDtDA&page=1&ndsp=15&ved=1t:429,r:3,s:0&tx=103&ty=82

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