A bem da Nação

REDUÇÃO NAS CONTAS DO TEMPO

 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


Desta vez foi a minha filha Paula que me enviou o texto: - Mã, ainda não tive tempo de dar conta disto. Reencaminho que é mais rápido:


 


Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII por um tal António Fonseca Soares.


 


CONTA E TEMPO


Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...


 


a que eu respondi com um “bestial!” de pleno entusiasmo admirativo. E vou guardar no meu blog, para não perder tal preciosidade, acrescentando, como brinquedo para desconto na minha conta deste tempo:


 


Com o tempo todo por minha conta,


Faço de conta que me divirto neste tempo


E jogo com o tempo que hoje só conta


No prazer da conta ao sabor do tempo.


 


Ora a conta que hoje damos do nosso tempo


Não a Deus, Senhor que o nosso tempo conta,


Mas a quem nos desconta faltas no tempo


De que por erro de tempo não demos conta,


 


Bem nos custa na conta ao longo do tempo


Que o mau tempo em que vivemos logo desconta.


Peçamos, pois, a Deus conta desse tempo


 


Já que o patrão que o nosso tempo conta


Só desconta com a lábia deste tempo


Que nos pesa sempre a tempo em nossa conta.


 


 


 Berta Brás

0