A bem da Nação

RECORDANDO ANTÓNIO FEIJÓ

 


 


NOITE PERDIDA


 


Coitado do Rouxinol!


 


Passou a noite ao relento,


Do pôr ao nascer do Sol,


Sem descansar um momento,


Sempre a cantar, sem dormir,


Absorto no pensamento


De ver uma Rosa a abrir...


 


Coitado do Rouxinol!


 


Passou a noite ao relento,


Do pôr ao nascer do Sol,


Sempre a cantar, sem dormir...


Mas o mísero – coitado!


Cantando tão requebrado,


Com tal cuidado velou,


Que adormeceu de cansado,


E os olhos tristes cerrou


No minuto, no momento


Em que ao luar e ao relento


A Rosa desabrochou...


 


Coitado do Rouxinol!


 


Com tal cuidado velou


Do pôr ao nascer do Sol,


E tanto, tanto cantou,


A noite inteira ao relento,


Que de fadiga e tormento,


Sem descansar, sem dormir,


Fecha os olhos, perde o alento


No minuto, no momento


Em que a Rosa vai abrir...


 


Coitado do Rouxinol!


 


 António Feijó


(Ponte de Lima, 1859 – Estocolmo, 1917)

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