A bem da Nação

RECONHECIMENTO

 


 


Carl Gustav Jung (1875 - 1961), psiquiatra suiço, escreveu em 1957 ("Gegenwart und Zukunft" = Presente e Futuro); da versão francesa "Présent et Futur"):


 


A questão das relações humanas e dos contactos entre as pessoas no quadro da nossa sociedade tornou-se uma preocupação urgente perante a atomização dos homens "massificados", simplesmente empilhados uns sobre os outros e cujas relações pessoais estão minadas por uma desconfiança generalizada.


 


Desde que as flutuações do direito, a espionagem policial e o terror existem, os homens ficam acuados no isolamento e não são mais que partículas ameaçadas, o que se quadra com o fim e a intenção do Estado ditatorial que se apoia sobre o amontoado tão maciço quanto possível de unidades sociais impotentes.


 


Perante este perigo, a sociedade livre tem necessidade dum «ligante» de natureza afectiva, como por exemplo a caridade ou o amor cristão do próximo. Mas precisamente é o amor do próximo que sofre a maior parte dos danos devidos às projecções e à falta de compreensão que elas causam. Por isso é do maior interesse da sociedade livre que se preocupe, graças a uma compreensão profunda da situação psicológica, com a questão das relações humanas.


 


É da relação de homem a homem que depende a sua coesão e por conseguinte também a sua força. Onde termina o amor, começam a prepotência, a empresa violenta e o terror.


 


Estas reflexões não se fazem para apelar ao idealismo. Tento somente levar a uma consciência clara da situação psicológica. Porque eu não sei qual é mais fraco: o idealismo ou a perspicácia do público. Tudo o que sei é que é preciso tempo para conseguir modificações psíquicas das quais se possa esperar uma certa estabilidade.


 


Um conhecimento e uma compreensão, que apontem, se esquematizem e sigam lentamente o seu caminho, parecem-me prometer uma eficácia mais duradoura que um idealismo que só lança a sua chama para se apagar.


 


* * *


 


Nestas simples palavras há uma sugestão de programa de melhoramento civilizacional e cívico da sociedade dos homens, que as chamadas grandes potências poderiam implementar para maior bem-estar da Humanidade, em vez de desperdiçarem a sua humanidade e as suas riquezas materiais – puro lixo, tais como as usam.


 


Seria uma educação geral, não de tolas teorias, nem de realizações fúteis, mas sim de conhecimento psicológico, tão falho como sempre tem sido.


 


Não matar, nem roubar, nem mentir, acções tão indignas dos verdadeiros homens, mas sim amar cristãmente, que é e sempre foi e sempre será, a melhor solução para os nossos problemas. Haja Deus!



Joaquim Reis

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