É sob este título que o Professor Doutor Manuel Ennes Ferreira titular da cadeira Economia Africana no Departamento de Economia do ISEG fez publicar na edição de Junho de 2005 da RI Relações Internacionais, do Instituto Português de Relações Internacionais (UNL), um artigo que eu considero do maior interesse para quem pretenda compreender a política angolana.
O Autor teve a gentileza de me autorizar a publicação do artigo no A bem da Nação mas a informática prega-nos algumas partidas e não foi possível fazer a transcrição de modo a que apresentação final ficasse com um aspecto gráfico pelo menos aceitável e legível com o agrado que o original proporciona.
Fiquemo-nos, portanto, com o resumo:
A maldição dos recursos naturais é frequentemente apontada como a razão fundamental para o baixo desempenho económico e corrupção dos países que os produzem. No entanto, não tem necessariamente que ser assim. O caso de Angola, derivado das suas reservas de petróleo e depósitos de diamantes, é usualmente indicado como um caso de maldição. Este artigo aborda a política dos recursos naturais angolanos na perspectiva da sua utilização como instrumento de política externa, valorizando o seu poder negocial e reforçando a lógica de rent-seeking da sua elite dirigente. Conclui-se pelo relativo sucesso daquela política externa, mesmo relativamente ao FMI, embora à custa do desenvolvimento equilibrado interno, económico e social. E, infelizmente, tudo indica que a aposta na diversificação da produção baseada nos recursos naturais é o modelo futuro.
Trata-se duma verdadeira aula sobre a política angolana actual que creio indispensável para quem queira compreender o que se passa naquele país, nomeadamente todos os que queiram negociar alguma coisa com Angola. O tema do artigo são as matérias prima mas creio que a lógica do rent-seeking explica muita coisa que só lendo o artigo se compreende.
A não perder.
Lisboa, Julho de 2005
Henrique Salles da Fonseca