
Um vento muito gelado
Um pardal em forma de bola
Uma senhora de estola
Um rosto encarquilhado
Corpos escondidos que espreitam
Dentro de quilos de roupa
Bafos de bocas que deitam
Uma névoa a cheirar a sopa
Gente que saltita em vão
Tentando os pés acordar
Pobres que carregam carvão
Um autocarro a tardar
Jovens inchados, vestidos de penas
Um rafeiro tremendo num canto
Trincando umas côdeas pequenas
Um céu com um negro manto
Que não quer abrir por nada
Como uma porta trancada
Porém, nada, mas nada, é eterno
Nem mesmo os dias de Inverno
Helena Salazar Antunes Morais