A bem da Nação

POTENCIAÇÃO

 


Florian era um fabulista um pouco simplista,


Mais moralista do que artista


Como se verifica na breve história seguinte,


De um pai já velho


A aconselhar um filho ainda novo


- O que é uma anomalia sem grande harmonia -


Com as habituais banalidades dos pais


Que sempre os filhos acham anormais,


As da virtude do saber antigo


Acrescentadas ao saber intemporal


- E que por isso é bastante actual -


Sobre a condição humana pecadora,


Numa visão que muitos acham redutora


Mesmo agora:


 


«O rapaz e o velho»


 


- “Por favor, ensine-me como se conquistam fortunas”,


Pedia ao seu pai um jovem ambicioso.


- “Há, disse o velho, um caminho glorioso,


É tornar-se útil à causa comum,


Usar os seus dias, os seus talentos, as suas vigílias,


Ao serviço da pátria,


Sem lacunas.


“- Oh! Que vida mais penosa!


Eu quero meios menos brilhantes


E mais condescendentes.”


“- Há meios mais seguros, a intriga…”


“ – É demasiado vil. Gostaria de enriquecer


Sem vício e sem trabalho de maior.


“ – Pois bem, sê um simples imbecil.


Desses, que assim progridem sem temor,


Já eu topei mais de mil.


 


Penso que o velho pai do filho jovem


Se enganou no número, pois, se fosse hoje,


Teria subido ao milhão a sua numeração,


Já que milhões e biliões são os números exorbitantes


Que a população dos exigentes


Refere sobre os incompetentes e os delinquentes,


Sem grande oposição,


- Desde que não figuremos nós na lista


De que fala o fabulista.


 


 Berta Brás

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