DESPEDIDA A UM SISTEMA POLÍTICO PARTIDÁRIO CULTURAL
(REQUIEM)
"O olho direito é o mais distante. Por
exemplo, podemos observar um alto
dignitário político e religioso a abrir
mais um dos olhos e a coçá-lo quando
lhe perguntam como vê o terceiro milénio.
O gesto permite-nos compreender que
ele chama a si imagens enquanto fala."
"A LINGUAGEM DO CORPO" Phillipe Turchet,
Pág.128, Editora Livros Horizonte
Há quem, jornalisticamente, tivesse chamado ao evento nocturno seguido ao discurso de Cavaco Silva, "a noite dos facas longas". Uma bestialidade jornalística. Aliás, a comunicação social portuguesa tem sido culpada dos incentivos à iliteracia política que se vive no meu País. É uma bestialidade jornalística porque "a noite dos facas longas" foi uma iniciativa de Hitler para eliminar os adversários do regime fascista que estava a impor, apesar de ter sido eleito democraticamente.
Incluí, inclusive, o incêndio do Reichtag, casa da democracia Alemã.
E as iliteracias do Povo Português não passam só pela política. Passam, também, por desconhecerem os direitos e deveres que têm.
Aliás, afirmo-o erradamente porque, muita gente, conhece muito bem os seus direitos, mas desconhece os seus deveres, ou ignora-os ostensivamente.
Na própria Assembleia da República está demonstrada esta afirmação, que, em Filosofia, se diria universal afirmativa. Assunção Esteves, a Presidente pôs na rua uma manifestação de arruaceiros. E os carrascos são os mesmos que, instaurada a democracia, julgam que têm o direito de destruir o País com greves sucessivas…
Falamos claro! Do PCP; da UGT; do BE; e, recentemente, para espanto meu, da UGT.
Mas, na actualidade, há uma frente diferente, para abordarmos, conscientes e urgentemente de que isto tem de mudar mesmo.
O mote foi dado pelo Presidente da República.
Todas as pessoas que me conhecem sabem que nunca alinhei com a atitude confortável a que o Presidente da República se remeteu.
Hoje, veio provar que o Presidente da República, afinal, tem poderes constitucionais que pode usá-los e fazer-se ouvir e respeitar.
Graças a Deus!
Analisemos, pois, a situação.
Ao contrário do que afirmou o Secretário-Geral do PCP. O Governo não caiu por qualquer uma acção revolucionária de rua, mas, por si próprio. E só há um responsável político: o Primeiro-Ministro.
Ao contrário do que se diz, Cavaco Silva não pretendeu puxar as orelhas a alguns, mas, a todos, pela inconsciência e infantilidade das birras dos actores em exibição no palco do poder. Já chega da oratória-espectáculo para a pesca de votos, antes disso, do interesse dos carreiristas das suas vidinhas políticas e da manutenção dos partidos como sociedades anónimas de colocação de boys and girls e do processamento de negócios de interesses diversificados e passemos ao verdadeiro negócio que é o interesse nacional de Portugal, que é a nossa Pátria.
Cavaco Silva deu-lhes, aos três partidos, a oportunidade de lutarem por um bem nacional. E só aos três porquê? Porque são os três do arco da governabilidade.
Os das esquerdas radicais nunca atingirão o poder, porque, governamentalmente, só sabem fazer barulho e causar conflitos.
Nunca dizem nada de sério.
Não é que os outros, também, não o façam, às vezes, mas, têm tido votos, até ver, para aspirarem ao poder.
Os eleitores estão de olhos na boa vontade e isenção de quem se diz patriota. Se não quiserem pôr de parte a idiossincrasia dos interesses individuais partidários, o Presidente já afirmou ao País que tem outras soluções. Não tenho Cavaco Silva na conta de um fala-barato, agora que falou, vai fazer… a bem da nação.
Já tive algumas trocas de ideias, em particular, e, alguns dos meus Amigos não me compreenderam. Tive de os esclarecer. Não me dizem respeito, os achaques individuais do passado recente, de Paulo Portas, Passos Coelho e António Seguro.
Todos eles têm responsabilidades políticas pelo que fazem e dizem e têm de responder por isso, nas urnas, mas, agora as urnas, em princípio estarão fechadas até Junho de 2014, o que acho uma atitude inteligente, democrática, patriótica e correcta.
Mudemos de música e de gestos!
Quem tem unhas tanto toca rabeca como cavaquinho…
A nação está à espera da partitura. Cocem o olho direito e vislumbrem as imagens do vosso futuro, se cometerem a insensatez de não se entenderem, pelo menos, por um ano.
Sejam breves a decidir!
