Galileo Galilei |
Nelson DeMille |
"As coisas divinas que as árvores me dizem, fazem-me esquecer as coisa banais que me dizem os Homens." Maria Amália Vaz de Carvalho |
Um bom 2009 para todos! Mudei, desta vez, o tema e o visual, para dar sorte. Escolhi este postal ilustrado X para deixar uma mensagem aos que colaboram neste blog e aos que nos lêem, aqui em Portugal, e em todo o Mundo. Escolhi não escrever sobre políticas, apesar de política fazermos todos os dias; sobre conselhos, em atitude mais ou menos paternalista; sobre pensamentos velhos ou novos ou outras coisas mais, da minha agenda das palavras. Hoje, optei por ser o mensageiro das minhas preocupações.
Começar o ano a preocuparmo-nos é bom, aliás, depende muito das preocupações. Mas, a meu ver, esta preocupação bem merece ser transmitida em início de novo ano, para que outros como eu possam comungar desta. Escolhi um filósofo, matemático e físico que viveu nos Secs. XVI-XVII, Galileo Galilei, italiano, pisantino de nascença; e, escolhi, também, um livro que vou comentar em LEITURAS DE HOJE E DE ONTEM – 3, "A Vingança do Leão", tradução portuguesa da versão inglesa "Lion's Game", de Nelson DeMille, nova-iorquino, autor americano de várias obras recordistas em vendas. E porquê estas escolhas? Porque o primeiro foi vítima da intolerância religiosa e o segundo escreveu este romance em 2000, sobre o terrorismo, expressão máxima e desumana do primado da intolerância religiosa, social e política. Considero o tema actualíssimo e ideal para iniciar o ano e para reflectirmos séria, longa e diariamente, durante este ano que agora entra, sobre o que pensamos da Humanidade e o que desejamos para o Futuro da Humanidade. "E no entanto ela move-se" (epur si muove). Esta frase foi murmurada, não fossem os juízes ouvi-la. Galileu estava a ser julgado pela sua teoria de que a Terra girava à volta do Sol. O Tribunal do Santo Ofício obrigou-o a renegar, em público, a sua teoria, por herética. A intolerância religiosa do Homem, através da História da Igreja Católica, teve sempre como resultado que tudo o que se assemelhasse a discordância da doutrina oficial, era punido com a pena de morte na fogueira (Auto de Fé). Precisamente nesta época, a Igreja tornara-se mais vigilante e endurecera a sua luta contra os hereges, em resultado da cisão marcada pelo luteranismo. Galileu escapou da morte, porque tinha amigos poderosos – O próprio Papa e o Presidente do Tribunal. Na actualidade, os "infiéis" ou "os hereges", sob o ponto de vista do islamismo radical, dão origem a "guerras santas". Não existem fogueiras, mas há coisas muito piores: armas e danos colaterais! A Humanidade não aprendeu com os erros e a intolerância internacional, religiosa, social e política continua a ceifar vidas humanas pela senda da terra queimada, ensopada no sangue dos inocentes. "Detesto burocratas, sempre tão cinzentos e cuidadosos..." (pág. 271, da edição portuguesa do Círculo dos Leitores do Livro aqui citado). Escolhi esta frase do autor DeMille, porque esta frase é o paradigma das mentes cinzentas e cuidadosas e das razões que lhes assistem para nos envolverem, a nós, cidadãos comuns, nestas guerras. Tudo é pensado, dirigido e executado em nosso nome pelos Estados de Direito (?) e em prol dos seus (deles, Estados) superiores interesses (?)... Então reflictamos sobre isto. O que teremos de fazer por um Mundo melhor? O que teremos de fazer para que o Homem deixe de pensar no seu umbigo e pense na Humanidade, porque não pensando nesta, o Homem está a pôr em risco a sua própria sobrevivência. É urgente que usemos mais, cada vez mais, com persistência, a intervenção cívica para combater a intolerância internacional. Resta-nos a esperança de que o intensificar desta intervenção cívica acorde os intolerantes do Mundo, para a urgência e necessidade de refrearem as suas idiossincrasias. Façamos de 2009 o ano da Tolerância!

