
AO GOVERNO
Contribuição para uma política de Educação
Agradeço a tua resposta, Jonh!
E agradeço, também, os comentários da Mary sobre a Política de Educação nos EUA e o seu convite para a discutirmos. Porém, presentemente, estou mais interessado em falar da nossa política de Educação, dos seus pressupostos e do que é a política de Educação prosseguida no meu País, se é que há algum modelo visível ou que pretenda vir a ser um modelo, com esta trapalhada toda. Por agora existe a navegação à vista; recuo aqui, avanço acolá... Contudo o actual ocupante do Palacete de São Bento, não gosta muito de recuos; a sua linha de orientação do governo é mais a da inflexibilidade. Quero, posso e mando. Por isso envio-te este postal que é o comparado à vossa Casa Branca. Trata-se da residência oficial do Primeiro-Ministro. Lá chegará o tempo em que estaremos em condições de comparar e concluir sobre o interesse e os resultados aplicáveis de ambos os modelos, o vosso e o nosso; e até, de outros. Conto com a vossa colaboração no debate e de mais quem esteja interessado.
Como sabes, é do conhecimento geral que as funções dos Estados/Governos em relação às Sociedades que pretendem gerir, são, tendencialmente as de intervir em todos os sectores, nomeadamente, o da Edução e, provavelmente, o mais importante é este o da Educação, com vista à preparação de mentalidades e ideais políticos que lhes favoreça, aos detentores da política como profissão, o conforto e os discípulos que garantam a sua base política de apoio para se manterem no poder. Um ideal não democrático mascarado de Democracia. Mas, se atendermos a que, quanto o Estado mais intervier massivamente em todos os sectores da sociedade, maior é a necessidade de ter ao seu serviço uma máquina gigantesca que é consumidora de papelada, no seu interior, e carece de recursos humanos para justificar o consumo da papelada existente na teia burocrática, maior é a despesa corrente. Também, numa outra perspectiva, a maior intervenção do Estado permite um melhor condicionamento das ideias, limitando as liberdades, principalmente, a liberdade de escolher A sua existência (a do Estado) tende cada vez mais a pesar no bolso do contribuinte. O Estado para mim devia comportar-se como um Chefe de Família. A função dos Pais é contribuir para que a Educação dos seus filhos se faça de um modo livre e espontâneo, deixar fluir a imaginação e a curiosidade natural da criança e orientá-la, apenas nas suas escolhas. A inteligência da criança saberá distinguir do que é que gosta mais e quais são as suas referências e preferências naturais. Assim, a criança criará bases intelectuais sólidas para se desenvolver no futuro, como adulta. Não sou apologista da anarquia e por isso defendo que deve haver linhas balizadoras dos conhecimentos que se devem incutir progressivamente numa criança para que adquira a consciência da responsabilidade de optar e que deve ser controlada de uma forma exógena.
Sempre me ensinaram, como católico que sou, que Deus entregou aos seus filhos, o livre arbítrio, quando nos confrontamos com situações aberrantes para um ser humano normal e onde se põe tantas vezes a questão de saber porque é que Deus consentiu que isto ou aquilo acontecesse. Deus assume o papel de Pai que orienta e protege, mas não intervém na decisão pessoal. Em relação à sociedade, o Estado/Governo devia ter a mesma prospectiva, isto é, não ser omnipresente, nem omnisciente. Mas a influencia cada vez maior do conceito de globalização é determinante nas correntes intervencionistas que tem muitos defensores e entusiastas como se a globalização fosse um fenómeno recente e extraordinário, quando a globalização teve já o seu início no momento em que o Homem descobriu que a Terra era redonda e sentiu a necessidade de descobrir novos mundos através de viagens de circum-navegação.
(Continua)