Diz-se que temos importantes recursos de gás natural ao largo do Algarve.
Mesmo que seja verdade, o lobby russófilo-ambientalista encarregar-se-á de impedir a sua exploração.
Continuemos, pois, energo-dependentes…
Contudo, até prova em contrário, a Rússia nada ganha connosco pois o nosso fornecedor é a Argélia. Ou seja, na actual circunstância de redução da dependência energética europeia em relação à Rússia, os nossos consumos não pesam nessa balança. Não faz, pois, qualquer sentido que tenhamos que reduzir o nosso consumo de gás natural.
Pelo contrário, a nossa solidariedade europeia dever-se-ia traduzir num reforço do nosso aprovisionamento de modo a que nos pudéssemos constituir como fornecedor de gás aos nossos parceiros europeus.
Todavia, França não autoriza que um nosso gasoduto atravesse os Pirinéus para manter a sua electricidade nuclear como produto estratégico para os demais países europeus.
Mas parece que não é tecnicamente possível substituir parte substancial dos actuais consumos de gás por electricidade. Esta, uma questão que merece confirmação ou infirmação. Confirmada a inviabilidade, cai por terra a pretensão francesa.
Bloqueados por russófilos e por franceses, resta a possibilidade da organização de comboios de navios entre Sines e Roterdão ou Hamburgo que transportem o gás que possamos intermediar.
Julho de 2022
Henrique Salles da Fonseca