ESTILOS DE MANDO
No seu recente livro "Espuma do Tempo", Adriano Moreira aponta o procedimento de Salazar por ocasião da tentativa de golpe de força de Botelho Moniz, ao tempo ministro da Defesa. Passava-se isto em Abril de 1961.

General Júlio Botelho Moniz
(Lisboa, 1900 - Lisboa, 1970)
Salazar valeu-se da lei. Demitiu o ministro e publicou a demissão no Diário do Governo antes que o ministro tivesse tempo de agir. Não castigou ninguém. Antes pelo contrário, logo que passada a onda, agarrou em alguns dos implicados e reintegrou-os no sistema com responsabilidades acrescidas. Adriano Moreira não nota contudo o que talvez tenha tido mais consequência e isto foi a motivação. O grito "para Angola, rápido e em força" motivou as gentes e calou a boca a possíveis recalcitrantes nas Forças Armada. O general Franco, no caso, teria fuzilado o ministro; Estaline tê-lo-ia torturado e morto nas tenebrosas cadeias do NKVD. Salazar limitou-se a motivar os espíritos para nova ação, contrária à proposta pelo sedicioso. E assim reteve o poder.
Marcello Caetano, colocado anos mais tarde diante dos capitães descontentes, recorreu à lei: - publicou decretos. Era pura e simplesmente jurista. Não sabia torturar e muito menos motivar. Resultado: perdeu.