(continuação)
Como ninguém pode iniciar uma guerra sozinho, a ex-concubina vai começar a bater às portas, à procura de aliados. Umas permanecem fechadas, mas há outras que se abrem. Há sempre alguém que, motivado pela inveja ou por ódios antigos, aceita aliar-se ao novo poder, para se vingar e para reforçar a sua posição na instituição.
Os novos aliados irão ser os executores materiais da oposição à pornocracia, deixando a ex-concubina camuflada. Esta raramente ataca alguém directamente, preferindo imitar a raposa em vez de correr o risco de se portar como um leão. Os seus inimigos mais desatentos sofrerão ataques cuja origem desconhecem e, não identificando as verdadeiras razões que os motivaram, tardarão a retaliar.
Como o ideal de justiça nunca uniu nenhum grupo social, a oposição tem os dias contados. Os opositores permanecerão dispersos, desmoralizados, enquanto o novo status quo toma conta de todas as relações dentro da instituição. Os poucos opositores, se ainda existirem, serão alvo de campanhas difamatórias, ameaças, e tudo o mais que sirva para os destruir animicamente. O novo poder vai andar à procura de pretextos para os expulsar da instituição: delitos menores caso os tenham cometido, transgressões forjadas ou induzidas pelos usurpadores. A guerra não terá fim até ao momento que a pornocrata possa reinar sobre a terra queimada, sobre os destroços de uma oposição rechaçada.
Quando há mais do que uma ex-concubina na instituição, não é habitual haver competição entre elas. Existe uma espécie de "cortesia profissional" entre corruptos que favorece as boas relações. Existe normalmente uma fêmea-alfa que influencia todas as outras, mas que as respeita e protege. Nesta fase, a instituição já perdeu há muito a sua razão de ser, subsistindo apenas como covil de raposas cujo principal interesse é a troca de influências e a manutenção de uma fachada de respeitabilidade perante todos aqueles que se encontram fora do círculo institucional.
Não sei se o leitor deste breve artigo tem estado atento ao panorama institucional português. Não me refiro aos escândalos que fazem vender jornais, mas sim ao funcionamento quotidiano das instituições públicas e privadas. Observe os seguintes sinais:
- O dirigente formal (director, presidente…) não controla o funcionamento da organização.
- Há funcionários(as) manifestamente incompetentes e sem habilitações em lugares privilegiados.
- Nas chefias existe pelo menos um homem de meia-idade que mostra sinais invulgares de agitação quando está ao pé de funcionárias mais jovens (sobretudo mulheres vistosas). Costumam exprimir um contentamento fora do comum e procuram o contacto físico (abraços ou ligeiros toques corporais). Por vezes, a euforia é acompanhada de ligeiros tremores.
- Há funcionárias que demonstram um à-vontade anormal (falta de zelo e de sobriedade) no local de trabalho.
- Há pelo menos um membro das chefias que demonstra temor perante funcionários subalternos.
- No caso de se tratar de uma instituição com atendimento ao público, nota-se uma preocupação excessiva, por parte das chefias e/ou dos funcionários, em transmitir "boa imagem". Por vezes, o utente de uma empresa está perante um cenário de tal forma forjado, que chega a ser ridículo dado o grau de perfeição que o grupo de trabalho pretende demonstrar.
- A ascensão meteórica de um funcionário recém-chegado à instituição.
- A empresa sofre de graves problemas económicos apesar de ter condições de mercado e uma conjuntura concorrencial favorável. Há empresas que estão à beira da falência sem razão nenhuma aparente.
Se tem estado atento ao funcionamento quotidiano das organizações, provavelmente já se deparou com as situações descritas anteriormente. Se no seu local de trabalho existem pelo menos duas destas manifestações, meu amigo, prepare-se porque estão a chegar tempos difíceis…
por DuxBellorumFIM