ACHA QUE HÁ LICENCIADOS A MAIS?
Parte 1
Eis a pergunta que o nosso Servidor, o SAPO, colocou em 18 de Setembro de 2008 aos internautas:
ACHA QUE HÁ LICENCIADOS A MAIS?
À alternativa SIM ou NÃO respondi pela negativa mas parece-me conveniente explicar. Explicação que, aliás, se enquadra perfeitamente no desenvolvimento do PASSE DE MAGIA-3 publicado em 26 de Agosto passado no “A bem da Nação”.
A Suiça e o Afeganistão são países sem acesso directo ao mar mas é frequente vermos nos portos portugueses navios com bandeira suíça; a nenhum dos dois países é reconhecida vocação agrícola mas a Suiça tem o queijo “Tigre”; é sabido que o subsolo suíço não tem riquezas minerais mas creio que ninguém sabe ainda o que há no subsolo afegão. É para mim evidente que não são as riquezas naturais que colocam o Japão em lugar de destaque no leque das locomotivas económicas mundiais; é para mim também evidente que Angola continua a ser um país a necessitar de muita ajuda internacional apesar das enormes virtualidades naturais de que dispõe (ou talvez mesmo por causa disso).
Então, o que distingue os países?
Creio que a resposta só pode ser uma: as pessoas que estão dentro de cada um.
E em Portugal, o que sucede?
É sabido que temos recursos naturais relativamente escassos e, mesmo assim, os que temos ou tivemos são ou foram maioritariamente explorados por estrangeiros. Refiro-me às riquezas mineiras que foram exploradas até à exaustão por ingleses (Minas de S. Domingos, Urgeiriça, etc.); refiro-me às pescas desbragadamente exploradas pelos espanhóis que amuam e fazem greves de fome quando raramente são presos pela nossa Armada.
Daqui resulta que se não temos abundantes recursos naturais, então o nosso desenvolvimento só pode assentar na valorização humana. Creio que tudo quanto se desvie deste processo se traduzirá numa perda de tempo para que alcancemos o verdadeiro desenvolvimento sustentado; creio que o sistema económico baseado na utilização de mão-de-obra barata e produção massiça de bens de pequeno valor acrescentado já não é aceitável em Portugal e está hoje vocacionado para os chamados Países do Terceiro Mundo. Há novas políticas públicas de incentivo às empresas de base tecnológica; há hoje uma forte preocupação de desenvolver o valor acrescentado pelas empresas portuguesas. A orientação que vem sendo seguida aponta no desenvolvimento da Investigação Aplicada sem desprimor, contudo, para a Ciência pura que, afinal, não actua com rapidez na valorização do nosso PIB.
Conseguirão estas políticas alcançar os objectivos que se propõem? Eis a questão que sempre nos devemos colocar.
De que base partimos? Que população somos?
A primeira constatação que temos que fazer é a de que somos poucos: escassos 10 milhões de residentes.
- Mas há outros Países com menos gente e que são muito mais ricos que nós.
- Sim, mas com um poder médio de compra superior ao nosso, o que faz com que o seu mercado doméstico possa ser maior que o nosso e, desse modo, viabilizar negócios que em Portugal poderão ser inviáveis sem exportação.
Um dos primeiros objectivos será, pois, o de aumentarmos o mercado doméstico. Mas como será isso possível?
- Aumentando o número de residentes e aumentando o poder médio de compra.
Aumentar o número de residentes consegue-se: pela via natural do crescimento da natalidade, da redução da mortalidade e do aumento da longevidade; pela via económica do aumento da qualidade de vida no País de modo a que a emigração se reduza e a imigração aumente.
E o poder médio de compra, como se aumenta? Eis a questão principal.
É escusado pensarmos que o aumento sustentado do poder de compra se consegue por Decreto: a contratação colectiva foi importante, sem dúvida, mas foi frequentemente comida pela inflação uma vez que se tratou de decretar aumentos que nem todas as empresas podiam suportar. Entre inflação nas épocas de crescimento e despedimentos nas de retrocesso, é escolher.
O aumento sustentado do poder de compra das populações só se consegue se houver um acréscimo de produtividade do trabalho, se quem produz tiver melhores habilitações técnicas para o desempenho da função de que está encarregado, se o valor acrescentado por trabalhador aumentar, se se tratar de produzir bens ou serviços de cada vez maior valor acrescentado. Tudo o que não seja isto, será artificial e, portanto, efémero; e o que procuramos é a sustentação e não a precaridade.
Que os Países já considerados desenvolvidos cresçam percentualmente pouco, não admira pois já cresceram muito em termos absolutos; o que choca é nós termos crescido percentualmente pouco sem nunca termos crescido muito em termos absolutos.
Mas vejamos o nosso perfil geral.
(continua)
Setembro de 2008
Henrique Salles da Fonseca
