A pornocracia como ideal
Tudo pode ser elevado à condição de ideal e racionalizado de forma a constituir uma "filosofia". O Marquês de Sade demonstrou-o, pegando no deboche e transformando-o na "filosofia de alcova". No meu entender, este processo não passa de uma justificação (ou "intelectualização") da bandalheira mais primária.
Donatien Alphonse François de Sade, conhecido como Marquês de Sade, escritor francês, filósofo, libertino e ateu, morreu em Charenton, Saint-Maurice, no dia 2 de Dezembro de 1814. Nascera em Paris, em 2 de Junho de 1740.
O estado de pornocracia também pode passar por este processo de racionalização, graças à noção de que todas as relações humanas devem ter um valor de mercado. Tudo o que faça parte da existência humana pode ser comercializado e o que não puder ser transformado numa mercadoria não tem valor intrínseco. A derradeira ambição do pornocrata consiste em "elevar" a prostituição ao nível de ideal.
Por parte de quem se vende também surgem justificações. A mais comum é a do "realismo": «a vida é assim mesmo e não podemos ser líricos nem utópicos». Temos que nos "fazer à vida" porque isto não é nenhum mar de rosas.
(continua)