A bem da Nação

PARA ONDE VAI O AMOR QUE SE PERDE?

 


MM-KAFKA E A MENINA.jpg Giuseppe de Christofaro


 


Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência singular. Passeando pelo parque de Steglitz, em Berlim, encontrou uma menina a chorar porque havia perdido a sua boneca.



 
Kafka ofereceu ajuda para procurar a boneca e combinou um encontro com a menina no dia seguinte no mesmo lugar.


 


Incapaz de encontrar a boneca, ele escreveu uma carta como se fosse a boneca e leu-a à garotinha quando se encontraram. “Por favor, não chores por mim, parti numa viagem para ver o mundo”.


 


Esta foi a primeira de muitas cartas que, durante três semanas, Kafka entregou pontualmente à menina, narrando as peripécias da boneca em todos os cantos do mundo: Londres, Paris, Madagáscar…


 


Tudo para que a menina esquecesse a grande tristeza!


 


Esta história foi contada a alguns jornais e inspirou um livro de Jordi Sierra i Fabra (Kafka e a Boneca Viajante) onde o escritor imagina como teriam sido as conversas e o conteúdo das cartas de Kafka.


 


No fim, Kafka presenteou a menina com uma outra boneca. Ela era obviamente diferente da boneca original.


 


Uma carta anexa explicava: “as viagens transformaram-me…”.


 


Anos depois, a garota, agora crescida, encontrou uma carta enfiada numa abertura escondida na querida boneca substituta. O bilhete dizia: “Tudo o que você ama, eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará numa forma diferente”.


MM-May Benatar.png May Benatar


in “Kafka and the Doll: The Pervasiveness of Loss” (publicado no Huffington Post)


 


 

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