A bem da Nação

OS TRÊS PASTORINHOS


Igreja de Santos o Velho em 1949 


 


Veríssimo, Máximo e Júlia, jovens pastores cristãos, chacinados na era do Imperador romano Diocleciano, exemplos da luta contra a tirania e a opressão, estão sepultados na Capela dos Três Pastorinhos, contígua ao palácio dos Lancastre-Avis, em Lisboa, que D. Afonso V mandara erguer sobre o que restava da capela visigoda localizada naquele promontório sobranceiro à praia fluvial.


 


Neste palácio dormiu D. Sebastião a sua última noite em Lisboa antes de rumar para o engodo marroquino que lhe foi armado por Filipe II de Espanha e pela Santa Sé durante o pontificado de Gregório XIII.


 


Neste palácio escreveu o Cardeal Rei D. Henrique a carta em que pedia ao Papa que o dispensasse dos votos a fim de legitimar o filho, desse modo assegurando a sucessão dinástica da Casa de Avis.


 


Neste palácio esteve D. Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino, a rezar aos Três Pastorinhos para que, rumo a Abrantes, pudesse em Aljubarrota substituir com êxito e a ajuda de Deus o Grão-mestre da Ordem de Cristo que se encontrava preso no castelo de Torres Novas por ordem do rei João I de Castela.


 


É por este palácio que, lisboetas e forasteiros, passamos na mais completa ignorância do que por ali se passou ao longo da História de Portugal.


 


 


 


 


O local dos Três Pastorinhos que hoje conhecemos por Santos-o-Velho e o palácio que ficou conhecido pelo do Marquês de Abrantes, na Calçada do mesmo nome, é hoje a Embaixada de França.


 


Lisboa, Abril de 2013


 


 Henrique Salles da Fonseca


 


BIBLIOGRAFIA:


 


«Os Cardeais de Camarate», João Santos Fernandes, ed. Fronteira do Caos, 2012, pág. 374 e seg.


 


 

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