A bem da Nação

OS SEGREDOS DE CAMARATE

 


 


Especulemos...


 


Camarate sempre foi lugar de traição.


 


Depois de em 3 de Setembro de 1384 a peste negra ter obrigado o rei João I de Castela, acampado em Camarate, a retirar do cerco a Lisboa, o judeu David Negro, almoxarife do rei D. Fernando, acolheu na sua quinta de Camarate a três castelhanos para assassinarem o Mestre de Avis. Denunciada a intentona, foi a quinta confiscada e a 4 de Dezembro (de 1384) entregue ao Condestável do Reino, D. Nuno Álvares Pereira, que ficou ali a morar na companhia de sua mãe. Anos mais tarde, mandou D. Nuno ali erguer a Igreja da Senhora do Socorro que doou aos Carmelitas os quais ali fizeram erguer um convento. Foi nesse mesmo convento que pernoitaram de 13 para 14 de Maio de 1449 os conjurados escolhidos pelo Duque de Bragança para matarem o Infante D. Pedro, tio de D. Afonso V, que afinal acabaria por morrer na batalha de Alfarrobeira, travada no dia 20 desse mês um pouco a norte de Camarate e já perto de Alverca.


 


E se a morte do Infante D. Pedro se enquadrou na política do jovem rei D. Afonso V de combater a então poderosa Casa Ducal de Coimbra para começar a concentração do poder real, quem serviu essa causa foi outro poderoso, o Duque de Bragança.


 


Foi necessário esperar por D. João II para que a política de concentração do poder real voltasse a ser uma realidade e o primeiro a «pagar a conta» foi o Duque de Viseu, assassinado pelo próprio rei numas casas em que pernoitou em Setúbal, vindo de Alcácer do Sal.


 


Dentre os grandes que dificultavam a política centralizadora do rei figurava o Duque de Bragança, primo do assassinado. E foi de Camarate que, a seu mando, saíram três cavaleiros que se dirigiram a Santarém...


 


 


 


Era pelos campos da Ribeira de Santarém que o filho legítimo do Rei, o Príncipe D. Afonso, galopava nesse 13 de Julho de 1491 em corrida ao desafio que lhe fora lançada por esses cavaleiros. Uma cobra saltando na zona mais pedregosa do caminho e uma cilha menos segura fizeram o desencontro do cavaleiro com a sua montada e lhe provocaram a queda aparatosa a que o Príncipe não sobreviveu.


 


Menos um obstáculo às pretensões castelhanas sobre o Reino de Portugal. Faltava o resto...


 


 


Lisboa, Abril de 2013


 


 Henrique Salles da Fonseca


 


BIBLIOGRAFIA: “OS CARDEAIS DE CAMARATE”, João Santos Fernandes (pág. 213 e seg.), ed. Fronteira do Caos, 1ª edição, 2012


 


 

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