Ela: - Como seria o mundo se os Governos tivessem gasto apenas o dinheiro que recebem?
Eu: - Por certo, bem diferente da falência por que muitos fizeram passar os respectivos países.
Ela: - Por que é que os Governos gastam mais do que recebem?
Eu: - Porque querem comprar os votos dos eleitores com benesses sucessivas a que chamam «Estado Social» e, desse modo, se eternizarem no poder.
Ela: - A quem pedem os Governos dinheiro emprestado?
Eu: - Aos mercados.
Ela: - E quem são esses mercados?
Eu: - Somos nós, os que poupámos e não gastámos mais do que tínhamos.
Ela: - E por que é que se diz tanto mal dos mercados?
Eu: - Porque não sabem o que dizem.
Ela: - Como assim?
Eu: - Devem-se ter endividado até por cima das orelhas, estão falidos e cheios de mau feitio contra quem lhes deu crédito. E como já não há Inquisição, não os podem mandar para a fogueira. Por isso dizem mal dos mercados e de quem os faz mexer, a banca.
Ela: - É esse o problema da Grécia com a Alemanha?
Eu: - É exactamente esse o problema da Grécia com a Alemanha e com todos os outros credores nomeadamente nós, Portugal, que também lhes emprestámos umas massarocas. E é o problema também de todos os «syrizados» espalhados urbi et orbe que não querem reconhecer que só podem consumir na medida do que produzem. E se, de preferência, consumirem um pouco menos do que produzem, pouparão alguma coisinha e isso não lhes fará qualquer mal.
Ela: - E como vai isto tudo acabar?
Eu: - Pagando as dívidas como nós, Portugal, estamos a fazer ou emitindo senhas de racionamento como brevemente fará a Grécia.
Ela: - Senhas de racionamento?
Eu: - Exactamente! Mas para disfarçar, até lhe vão chamar «novo Dracma».
Ela: - E depois?
Eu: - Depois... vou ali consultar a minha bola de cristal e já volto mas duma coisa tenho a certeza: se os demagogos não voltarem por enquanto ao poder, a riqueza medir-se-á novamente pelo que cada um produzir e não pelo que cada um mamar; é que aqueles a quem os devedores chamam ricos estão fartos de pagar a crise e dizem que a carnavalada acabou. Mas eu vou ali consultar a bola de cristal. Até já!
Março de 2015
Henrique Salles da Fonseca
