Conta-se a história de que um dos Faunos lupinos do 25 de Abril de 1974 foi à Suécia explicar àqueles “pacóvios” do que tratava a revolução portuguesa e que a certo momento de brilhante sessão de esclarecimento e dinamização cultural afirmou qualquer coisa do género de que «em Portugal já acabámos com os ricos».
Com alguma timidez perante tanta glória, terá um dos atónitos escutantes balbuciado qualquer vago pensamento de que «na Suécia já acabámos com os pobres».
E a pergunta que logo nos assoma: - Por que é que há países tão ricos e outros tão pobres?
Já Wilhelm Schaumburg Lippe (1724-1777), como Marechal General do Exército Português a convite do Marquês de Pombal, ao redigir o nosso primeiro Regulamento de Disciplina Militar, determinou que o Sargento devia saber ler e escrever pois o Oficial, sendo nobre, podia não saber.
Se isto se passava no Exército, pilar essencial da Nação, podemos imaginar por onde andava o nível médio cultural por esse Portugal além... Chegámos a 1910 com cerca de 90% dos adultos enlameados no analfabetismo, a 1974 com 25% e a 2011 com uns miseráveis 6%.
David S. Landes, Professor (emeritus) de Harvard, escreveu um artigo de jornal a que deu a forma de livro com 603 páginas de texto, 51 de notas, 81 de bibliografia e apenas 19 de índice remissivo a que deu o sugestivo título algo smithiano de A riqueza e a pobreza das Nações. A tese fundamental deste americano é a de que um céu radioso conduz ao folguedo e à hilaridade de quem sob ele se passeia enquanto um céu plúmbeo induz à introspecção, à falta de humor, ao trabalho árduo. Se a isso juntarmos aos do Sol o poderoso dogma religioso e o latim como arma de distanciamento dos fiéis mantidos iletrados como instrumento de docilidade relativamente aos Santos Mistérios e aos das nuvens a promoção pelos protestantes da interpretação da Bíblia devidamente traduzida nas várias línguas vernáculas, temos naqueles o temor da ira divina e nestes a racionalidade, o método e a já citada ausência de humor.
Assim nos conduz o Professor Landes ao Carnaval carioca dos favelados e ao maior nível mundial de patentes per capita na Finlândia enquanto, pela nossa parte, contamos com o nobre Oficial português mas também com o Marechal austríaco.
No meio de tanta pobreza de espírito, pobres Faunos, pobres lobos, pobres melros e pobres rebanhos.
Haja Deus!
