
A toca de muitos lobos a que o poeta chamou «Lusa Atenas» tem dado a Portugal gerações sucessivas de letrados eruditos, proeminentes juristas e sábios médicos. Letrados eruditos que ensinam durante os intervalos que fazem na actividade sindical em luta permanente contra quem lhes dá o pão para a boca, o Contribuinte; proeminentes juristas que não encontraram ainda um sistema de Justiça eficaz para Portugal e manuseiam com bisturi os prazos de prescrição dos processos judiciais; sábios médicos que se enclausuraram numa torre de marfim não admitindo a concorrência estrangeira.
Sim, tudo exageros meus. Claro!
É evidente a necessidade cada vez mais premente de defendermos a nossa mal tratada língua, agora tão agredida pelo lobo brasileiro; o sofisticado quadro jurídico nacional é certamente de muito elevada craveira científica mas por acaso destina-se a ser aplicado por uma população que o não sabe interpretar; a prática médica em Portugal é muito boa mas o acesso aos cursos de Medicina continua a ser severamente condicionado como forma de protecção máxima corporativa ao mínimo de membros em exercício.
O professor que não dá aulas porque tem actividades extra-lectivas; o sublime quadro jurídico e o seu relacionamento com a sociedade a que se destina fazendo-me lembrar o paralítico em cadeira de rodas vestido com um fato de treino; os hospitais com filas de espera já quase incomensuráveis...
Haverá por aí Faunos que açaimem estes Lobos?
