A bem da Nação

OS LOBOS E OS FAUNOS – 4 (II Série)

 


 


Nascido na Grécia no ano 130 da nossa era, Galeno morreu em Roma no ano 200. O seu prestígio entre os membros da classe médica manteve-se até ao século XVI quando os cientistas da Renascença iniciaram uma série de descobertas cruciais para a evolução da Medicina. Os seus contributos para a ciência foram fundamentais ao determinar a importância da coluna vertebral, ao utilizar o pulso como meio de diagnóstico, ao identificar vários músculos e ao realizar dissecações em animais. O seu sistema de fisiologia corporal, tomando como referência a teoria dos fluidos, foi o mais completo durante muito tempo.


 



Filho do médico Julião Rebelo e de sua mulher Teresa Gil, nasceu em Lisboa cerca de 1210, deram-lhe o nome de Pedro, estudou Medicina em Paris, leccionou na Universidade de Siena entre 1245 e 1250, foi eleito Arcebispo de Braga e ficou na História como Papa João XXI. O seu tratado sobre a anatomia do olho, De Oculo, fez escola durante séculos e mereceu reedição moderna devidamente comentada pelo Professor Egas Moniz, nosso Nobel da Medicina.


 



Paracelso nasceu em 1493 na Suiça e morreu em 1541 na Áustria, formou-se em Medicina na Universidade de Viena, curou as doenças do filho do Grande Kahn tártaro aplicando substâncias químicas, definiu a constituição dos seres vivos em quatro elementos (terra, água, ar e fogo) e três substâncias (enxofre, mercúrio e sal) e assim deu origem à moderna farmacologia.


 



Carlos II de Inglaterra inaugurou o Observatório de Greenwich em 1675; pela mesma época foi medida a velocidade da luz e descoberto o espermatozóide. Pela mesma época, na Universidade de Coimbra, a Ordem de Santa Cruz não permitia então a dissecação de cadáveres para ter a certeza de não se esquartejar a alma e D. João IV, por antecipação ao dogma vaticano, obrigou aquela instituição a garantir que defenderia sistematicamente a imaculada concepção de Maria.


 


E hoje?


 


O afunilamento corporativo praticado pela Ordem dos Médicos ignora a existência da Europa, dos EUA, do Japão e de outros igualmente desenvolvidos não reconhecendo a qualidade do ensino da Medicina ministrado em Universidades eventualmente pejadas de Prémios Nobel da Medicina, retém para si o monopólio da omnisciência e o estatuto de juiz supremo, já para não dizer que não passa de alguém que se crê Suma Sacerdotisa duma religião onde afinal existem outros Pontífices muito mais reconhecidos e laureados.


 


Os lobos uivam, os Faunos tremem e os melros já nem assobiam por causa das sezões.


 


Quando virá o Fauno que não trema e dome estes lobos?


 


 Henrique Salles da Fonseca

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