
Os Faunos só não apregoam o “dois em um” do género do «vote por dois cada vez que cá vem» porque a Comissão Nacional de Eleições embirra com esse tipo de marketing.
Mas quando chega a hora de parar de mentir, então a verdade azeita-se e vem ao de cima: não só não se baixam os impostos como, pelo contrário, se sobem os ditos. Ah! E de preferência os indirectos que é para todos pagarem por igual sem hipótese de fugas nem descontos como nos directos.
E, agora sim, chegámos às “duas numa”, com uma verdade a calar duas mentiras: a verdade da necessidade inadiável de satisfação da ventosa do Estado contra a mentira de mais solidariedade e contra a de menos impostos.
E tudo isto porque o Estado vem encarecendo ao longo das Legislaturas tanto por proposta executiva como por decisão legislativa autónoma. E quando o próprio Governo diz que o Estado tem que emagrecer, logo os lobos se levantam em uivos de reivindicação de direitos – uns mais reaccionários que outros – sempre com o rótulo de «adquiridos»: são as corporações liberais ou sindicais que não se contentam com o que já têm e querem mais leite e mais mel. Não querem que o Estado emagreça; querem que o Governo cobre mais. E os Governos decretam um aumento dum desses que dá pelo nome de IVA ou quejandos...
Agora, sim, podemos começar a sentir a concorrência fiscal. E a Holanda ali tão próxima...
Eis como os agentes da soberania se transformaram nos seus algozes.
Hoje, derramado o leite e perdido o mel, o assobio dos melros já não faz qualquer sentido porque a vaca secou e o enxame das varejeiras verdes se transformou numa alcateia corporativa de juízes, publicanos, polícias e professores.
Lobos e Faunos cavaram as próprias sepulturas mas quem paga os enterros somos nós, os Contribuintes, os que já estamos fartos de chupistas.
