A bem da Nação

OS LOBOS E OS FAUNOS – 2 (II Série)

 


 


Os Faunos só não apregoam o “dois em um” do género do «vote por dois cada vez que cá vem» porque a Comissão Nacional de Eleições embirra com esse tipo de marketing.


 


Mas quando chega a hora de parar de mentir, então a verdade azeita-se e vem ao de cima: não só não se baixam os impostos como, pelo contrário, se sobem os ditos. Ah! E de preferência os indirectos que é para todos pagarem por igual sem hipótese de fugas nem descontos como nos directos.


 


E, agora sim, chegámos às “duas numa”, com uma verdade a calar duas mentiras: a verdade da necessidade inadiável de satisfação da ventosa do Estado contra a mentira de mais solidariedade e contra a de menos impostos.


 


E tudo isto porque o Estado vem encarecendo ao longo das Legislaturas tanto por proposta executiva como por decisão legislativa autónoma. E quando o próprio Governo diz que o Estado tem que emagrecer, logo os lobos se levantam em uivos de reivindicação de direitos – uns mais reaccionários que outros – sempre com o rótulo de «adquiridos»: são as corporações liberais ou sindicais que não se contentam com o que já têm e querem mais leite e mais mel. Não querem que o Estado emagreça; querem que o Governo cobre mais. E os Governos decretam um aumento dum desses que dá pelo nome de IVA ou quejandos...


 


Agora, sim, podemos começar a sentir a concorrência fiscal. E a Holanda ali tão próxima...


 


Eis como os agentes da soberania se transformaram nos seus algozes.


 


Hoje, derramado o leite e perdido o mel, o assobio dos melros já não faz qualquer sentido porque a vaca secou e o enxame das varejeiras verdes se transformou numa alcateia corporativa de juízes, publicanos, polícias e professores.


 


Lobos e Faunos cavaram as próprias sepulturas mas quem paga os enterros somos nós, os Contribuintes, os que já estamos fartos de chupistas.


 


 


  Henrique Salles da Fonseca

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