A bem da Nação

OS LOBOS E OS FAUNOS – 12 (II Série)

 


 


 


BASTA! De quê? De figurações mitológicas. A partir de agora passarei a chamar demagogos aos mentirosos que já topamos à distância, gatunos aos ladrões, gulosos aos glutões, manipuladores aos informadores e parvos aos que acreditam em qualquer deles.


 


E de que serviram estes exercícios mitológicos que agora dou por findos? De pouco se é que de algo. Mas tenho a esperança de que o meu esforço de síntese tenha conseguido pôr em meia dúzia de linhas o que noutros escrevinhadores daria pano para mangas e, assim, ter conseguido leitores dentre quem não tem tempo a perder com leituras mais longas do que as que cabem num A4. Só o texto do sapateiro remendão é que excedeu esse tamanho. As minhas desculpas mas a peça original tinha sido produzida em 2005 e na época eu era algo prolixo enquanto hoje sou bem mais lacónico.


 


Uma vez que estou aqui a dar a série por finda, exige-se uma conclusão e essa é a de que os males de que padecemos dependem sobretudo de nós próprios e não de conspiradores estrangeiros que às escondidas desenhem a nossa desgraça. Nós somos esses conspiradores e somos nós que desenhamos a nossa própria desgraça: padecendo de um nível médio cultural muito baixo, tendemos para a mesquinhez; padecendo de um nível médio de formação profissional muito baixo, não produzimos o que queremos consumir; padecendo duma precipitação informativa, queremos tudo o que vemos nos outros povos com níveis médios culturais e de formação muito mais elevados; politicamente instigados ao hedonismo, queremos tudo isso JÁ!


 


Creio, no entanto, que o futuro é risonho porque, depois de uns quantos Faunos nos terem atirado para o fundo do precipício em 2011, já os credores encolheram as garras e mostram os dentes brancos em rasgados sorrisos; depois de muitos nos considerarmos desgraçados, chega o momento em que deixamos de acreditar em quimeras e criamos o novo modelo de desenvolvimento não esperando mais pela iniciativa pública a quem não mais compete ser nosso patrão.


 




Sim, a Fénix tem todas as condições para ressurgir das cinzas se os Faunos não se travestirem de bandidos, se os Lobos forem açaimados, se os Melros não se venderem a pautas espúrias e se os rebanhos, zelando por si próprios, deixarem de carpir.


 


 


FIM


 


Lisboa, Maio de 2013


 


 Henrique Salles da Fonseca

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