A bem da Nação

OS LOBOS E OS FAUNOS – 10

 


 


 


Os Faunos mandam, os lobos comem, os melros assobiam e os rebanhos pagam.


 


Mas, por vezes, esses pândegos trocam de lugar e já todos nós, os arrebanhados, nos habituámos a ouvir melros que antigamente andaram a fazer de Faunos e alguns destes que se empenam de melros. E pelo «lindo serviço» que prestaram, estamos mesmo em crer que devem ter andado por lá a flausinar. Assim não fora e não seríamos agora chamados a esticar um palmo de língua no que se adivinha um longo exercício de pagamento das dívidas que esses ditos pândegos nos arranjaram.


 


Cada um deles tem uma alcateia protegida a que dedicadamente oferece muita da carne que cobra aos rebanhos. Diz-se que também «empocham» algum. Diz-se... mas eu não acredito.


 


E como a memória arrebanhada é curta, logo se cantam hossanas a quem deu provas de malignidade cuidando de vorazes alcateias em detrimento dos pagadores das promessas em que crédula e carneiramente acreditámos.


 


E temo-los de todos os brilhos a assobiar a propósito de tudo e a propósito de nada em palcos tão luzidios como os telejornais ou embrulhados em lautas folhas de jornal; tudo são pretextos para atirarem «eu achos» aos sete ventos quer se trate de assuntos caros quer de baratos. E de tanto assobiarem, temo-los já como «assobia baratos» a que há quem chame «fala baratos». Mas isso era se eles falassem e não assobiassem apenas. Estilos.


 


 


 


Sucede que se um dia aos rebanhos sobe a mostarda ao nariz, vai haver marrada que ferve. E carneiro não é como o toiro que fecha os olhos quando marra. Carneiro marra de olhos abertos!


 


 


 Henrique Salles da Fonseca

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