Fauno, rei do Lácio, filho de Pico e neto de Saturno a quem estabeleceu culto público, elevou a mulher – Fauna – e o pai à honra dos altares privados acabando ele também por ver os romanos reconhecerem-lhe atributos divinos e prestarem-lhe culto oficial. Ficou na mitologia romana como divindade campestre assobiando em conjunto com centenas de melros a melodia que nos campos ouvimos das flautas mágicas em protecção da fecundidade dos rebanhos.
Hoje ainda os melros assobiam do alto dos galhos prometendo paraísos onde escorram o leite e o mel atraindo os rebanhos sedentos e gulosos na esperança de um futuro prenhe de todas as benesses que a imaginação dite. Mas os lobos andam à solta e o engodo rapidamente se transforma em anzol; à espera do leite e do mel está um sedento enxame de moscas verdes; o paraíso é, afinal, próximo do purgatório; o rebanho sente-se abandonado pelos deuses.
O assobio dos melros é sempre o mesmo: a cada um segundo as suas necessidades para uma sociedade mais justa, melhor nível de vida, maior transparência nas decisões, Justiça mais rápida, combate à fraude, perseguição aos bandidos e mais um rol de notas maviosas enchendo pautas que só os iniciados decifram mas que muitos outros escutam no inocente deleite dos néscios incautos.
Ah! Não esqueçamos: redução dos impostos! Já!
E agora vamos a votos, meu povo!
