É claro que Vasco Pulido Valente tem razão no retrato impecável que fez em 20/11/15 no seu texto Um triste espectáculo, não só da direita a dar o flanco, como no de António Costa assumindo, por contraste, o seu arzinho de estadista responsável e tranquilo, coisa que evidentemente impressiona o povo e o solidifica a ele.
Mas também se diz que quem não se sente não é filho de boa gente, e o espectáculo de um país curvando o dorso e retorcendo-o em miadelas dengosas à espera do novo pires de leite, ou tão só indiferente a uma fraude maquiavélica, esfregada nas nossas caras, de extorsão de um lugar para o pódio dos vitoriosos, (como aqueles que o obtêm por dopping, estimulante da sua energia de desportistas sem escrúpulos), não me parece que seja mais edificante do que a reacção dos que, tendo ganho as eleições, são afastados com critérios de tanta vileza ou saloice.
Quanto a mim, os tais adjectivos – usurpador, golpista e fraudulento – sendo verdadeiros, são bem aplicados pelos que se sentem lesados. O pretender que, em nome das boas maneiras – agora se diz do “politicamente correcto”, que é chiquérrimo – finjam ignorar a falcatrua criminosa – parece-me politicamente indigno, retrato de um pobre país exangue, quer em termos físicos, quer em termos éticos.
A diferença reside em que os do dopping são afastados da sua glória, pelo menos nos países mais seguidores das normas consuetudinárias. Nós passamos por cima delas.
