A bem da Nação

OS CRIMES DO MARQUÊS DE POMBAL – 2

 


 


 


Extracto de "Perfil do Marquez de Pombal", de Camilo Castelo Branco


 


 


O luxo progrediu, e passou por cima das pragmáticas de D. João V e de D. José, até que o terramoto de 1755 subverteu a maior parte dos patrimónios e reduziu os pequenos à pobreza.


 


Em 1754, apesar das ruas estreitas e declivosas, havia em Lisboa 300 coches, 4500 seges de particulares, mais 400 de aluguer e um grande número de liteiras, paquebotes e cadeiras de mão. O Marquez de Pombal escreveu impudentemente que, entrando para o ministério em 1750, achara o reino pobre e o erário vazio. No ano anterior ao terramoto, D. José I recebeu dos seus direitos quantia superior a 14 milhões de cruzados. Quando Portugal experimentou a suprema e vergonhosa miséria foi no ministério do Conde de Oeiras. Em 1759, os soldados que guardavam a porta do Conde de Oeiras pediam esmola a quem visitava o ministro; ao embaixador francês conde de Merle pediu publicamente esmola um sargento. Em 1762, o embaixador O'Dunne participava ao conde Choiseul que os sargentos de algumas companhias e um capitão lhe tinham pedido esmola. Em 1759, o rei, querendo ir para Mafra e não tendo dinheiro, levantou do depósito público 29 contos de reis; e no mesmo ano, querendo ir a Vila Viçosa, levou o dinheiro apurado na venda dos móveis, pertenças dos jesuítas. Também Portugal, em 1756, recebera de Inglaterra uma esmola de 10.000 libras para remediar a catástrofe do terramoto. E, quando a tropa portuguesa mendigava aos representantes da França em 1759, pagava o tesouro 36.000 cruzados por dois meses ao cantor Egipcieli e pelo mesmo tempo pregava-se à porta da Alfândega um edital em que D. José I pedia ao país dinheiro emprestado! Que rei e que ministro!


 



 


Nota: Ficamos cientes! Se Portugal não se extinguiu nesse tempo, também não se extinguirá com a "crise", com a "U.E." e com os reles políticos que temos.


 



Joaquim Reis

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