A bem da Nação

O VALOR DO MAL

(*)


Esta crise, como todas, provoca muitas reacções. O pior tem sido a escassez de reacções positivas. Mais dramático que o sofrimento, são as pessoas que deixam a crise tomar conta da sua vida. Talvez por já sermos um país rico, desta vez há demasiada gente a levar a crise a sério. Ela é mais grave que as anteriores, não por estarmos a perder mais, mas por ainda não terem começado as anedotas.


A raiva de tantos, o desespero e desânimo de outros, os «indignados» que enchem as nossas ruas, orgulhosos da sua indignação, todas essas atitudes são compreensíveis, até razoáveis. Mas todas assumem a situação como está, aceitando descer ao seu nível. Não a agarram como caminho e instrumento para algo melhor.



O importante na nossa existência não é o que nos acontece, mas o que fazemos com o que nos acontece. O que faz de nós seres humanos é a capacidade de nos elevar acima dos acontecimentos até ao sentido dos acontecimentos.



O que está em causa hoje é o valor do mal, um dos maiores mistérios da humanidade. Santo Agostinho explicou isto de forma cristalina ao dizer: «o Deus sumamente bom, de nenhum modo permitiria existir algum mal nas suas obras, se não fosse tão omnipotente e bom para até do mal tirar o bem» (Enchiridion xi).


 


Goethe descreve o diabo como «uma parte daquele poder que sempre quer o mal e sempre consegue o bem» (Faust I, iii, 1336-37). Mas talvez nos tempos que correm seja melhor invocar Steve Jobs, que sempre disse que o facto de ter sido expulso da Apple em 1985 foi a causa da melhor parte da sua obra.


 


João César das Neves


 


DESTAK | 26 | 10 | 2011


(*)http://www.google.pt/imgres?q=steve%2Bjobs&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=753&tbm=isch&tbnid=QHrwAzDJExKSoM:&imgrefurl=http://wplancer.com/wonderful-advice-from-steve-jobs/&docid=ALu6o1M1yfAh3M&imgurl=http://www.wplancer.com/wp-content/steve-jobs.jpg&w=376&h=490&ei=DTq6TszpOs7Aswb_htTXBg&zoom=1&iact=hc&vpx=787&vpy=288&dur=1561&hovh=256&hovw=197&tx=112&ty=128&sig=108364103958560163334&page=2&tbnh=174&tbnw=132&start=12&ndsp=13&ved=1t:429,r:4,s:12

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