Com a filosofia grega fundada sobre a crença do ser, no cosmos e sua racionalidade, a filosofia medieval sobre a crença em Deus, sua criação e revelação e a filosofia moderna sobre a crença no homem e sua capacidade de realizar o reino de Deus sobre a terra, o século XX caracteriza-se por levar a tendência moderna até ao extremo, embora, ao mesmo tempo, padeça de uma dissolução da substância da crença. O homem actual já não crê em nada e é capaz, por isso, de acreditar em tudo. A extrema cisão de crenças (religiosas, políticas, económicas, sociais e filosóficas) é o sinal do nosso tempo.
Daqui resulta uma riqueza de filosofias das mais diferentes espécies. Mas como, sem um suposto de base, não se pode filosofar, resta um verdadeiro dilema: uma evasão para a pseudo-crença, para a fantasia especulativa ou para a retórica; uma renúncia ao conhecimento substancial e uma limitação às questões do método e da técnica.
Agosto de 2013,
Henrique Salles da Fonseca
In DESTINO E MISSÃO DA FILOSOFIA NO SÉCULO XX - A FILOSOFIA NO SÉCULO XX, Fritz Heinemann - Fundação Gulbenkian (7ª edição, 2010), pág. 255
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Para saber mais sobre Fritz Heinemann v. p. ex. em:
http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/judaica/ejud_0002_0008_0_08689.html