Um belo texto de José Tolentino Mendonça.
É, realmente, mais fácil ser-se pessimista, pelo menos no sentido em que nós por aqui somos, no bota-abaixo com que diariamente nos confrontamos, de uma maioria palavrosa, quer no parlamento, nos media ou na rua, sem dar margem à confiança numa acção governativa que ao que parece, depois de atravessar – e fazer atravessar – o purgatório – (para ficarmos no meio termo das sondagens sociais, o inferno de alguns muitos contrabalançado pelo paraíso dos muitos mais, segundo nos prova a circulação automóvel e nos supermercados, e outros esbanjamentos comprovativos) – depois de atravessar, pois, o purgatório das tentativas de reconstrução do nosso mundo em frangalhos, vai obtendo, ao que afirmam estudos feitos sobre a evolução económica, alguns resultados positivos, embora em pequena escala, mas logo contestados – ou ignorados - pelo nosso pessimismo destrutivo, que nos enaltece intelectualmente, no pressuposto de que faríamos melhor.
É verdade que o mal que vai neste mundo, a que diariamente assistimos, a maioria das vezes de longe, mereceria a nossa rebelião contra a injustiça dele e a nossa visão pessimista sobre um mundo mal feito por um Deus castigador. Mas essas análises são pertença dos filósofos.
Lembremos, entretanto, o samba brasileiro, para disfarçar:
O que se leva desta vida é o que se come, o que se bebe, o que se brinca, ai ai
O que se leva desta vida é o que se come, o que se bebe, o que se brinca, ai ai
