A bem da Nação

O PRÍNCIPE ZÉ

 


 


Enquanto fui seu colega de estudos, nunca lhe vi uma atitude agreste. Mas cedo se viu que ele seria Príncipe e não Rei pois gostava de fazer bem ao próximo, devia sentir-se mal a dizer «não», gostava de agradar e sabia como ninguém estar em sociedade.


 


E a vida correu sem que mais nos encontrássemos. Via-o por vezes nos telejornais sempre na sua posição de Príncipe e deixando a ribalta para o Rei. Por interposta pessoa, fui-lhe mandando sugestões de leitura sem que alguma vez eu soubesse se lera ou deixara de lado. Mas sei que sempre foi distribuindo o bem por muita gente…


 


Mas, ao fim duma quarentena de anos, um dia houve em que o Rei caiu do trono e, com ele, o Príncipe. Adivinho-o agora triste por não ter mais bem para distribuir a quem dele precise. Nem sei se os beneficiados ao longo do seu longo principado o reconhecem agora ou se lhe voltam as costas. Já vi tanta ingratidão por estes anos todos que levo de caminho que não me admiraria muito ver mais uns quantos tristes casos desse género.


 


Mas como ele é bom, adivinho que vai encontrar maneira de continuar a distribuir o bem. Poderá ser um tipo de bem diferente do que distribuía até há pouco mas será bem na mesma.


 


O bem que o Zé Príncipe distribuiu só lhe ficou bem! Agora, há mais vida para além do principado, Zé!


 


Continuemos…


 


Lisboa, Julho de 2014


 


 Henrique Salles da Fonseca

0