Capitulo 3 – O Reencontro e a Paz
Um mês depois e depois da continuação da guerra que já durava mil anos, o Príncipe Supremo dos Palhaços Alegres encontrou-se, como prometido, com a Princesa Herdeira dos Palhaços Tristes, no local da floresta combinado.
Contudo, não tendo tomado as precauções e pelas suspeitas que haviam levantado na última vez, em que tinham vindo as partes de cada um deles à procura de ambos, lá estavam pela segunda vez frente a frente, movidos por uma ânsia como ambos nunca tinham antes sentido. No mês que estiveram cada um para seu lado, um fogo ardente e quase insuportável havia crescido no peito de um e do outro, e só este novo encontro veio conseguir acalmar.
Sem palavras, só mexendo os olhos no sentido dos dele, ela esticou as duas mãos fechadas na direção dele e abrindo-as, deixou ver duas pérolas do tamanho de ovos de pomba, sendo uma de prata com um sinal de menos a preto e outro de ouro, com um sinal de mais a vermelho, correspondentes, o primeiro, ao sexo feminino e o segundo, ao sexo masculino.
Ele ficou simplesmente abismado a olhar para ambas as palmas das mãos dela, sabendo que aquelas eram as sementes plantadas no primeiro encontro de ambos, e não se contendo, agarrou as mãos dela com as dele, fazendo-o de forma a envolver aconchegadoramente ambas as pérolas. Um brilho imenso saiu dos dois pares de mãos entrelaçadas, ocultando-as numa intensa bola de luz multicolorida, com raios saindo em todas as direções, para se espalharem pela floresta, num autêntico espectáculo de luz. A luz das mãos foi aumentando até envolver os dois numa única esfera enorme de luz, que irradiava luz para todos os lados. Vieram de todos os cantos da floresta, pássaros e outros animais silvestres e selvagens, acordados e espantados com o estranho fenômeno, atraídos pela intensa radiância ali produzida, que a tudo iluminava como se tivesse de repente virado dia.
No Mundo dos Palhaços, os bebês depois de concebidos pelo contacto, nasciam de pequenas esferas, que mais não eram que ovos de Palhaço, e era na mistura e na simbiose das mãos do casal paterno e da luz que eles produziam neste ato, que se desenvolviam as crianças Palhaços.
Ainda eles estavam envolvidos pela radiante e faiscante luz, quando de um lado e do outro da floresta, apareceram hordas de Palhaços
Tristes e de Palhaços Alegres, fortemente armados de todo o tipo de armas, prontos para a batalha, quando se depararam com um dos mais intensos espetáculos de luz e côr já antes visto por um ou o outro lado.
Frente a frente e prontos para um choque violento, ambos os exércitos pararam por momentos face a tal deslumbrante e mágico espectáculo.
Instantes mais tarde, a luz começou a perder intensidade, até que quando foi diminuindo a sua intensidade, se viram no seio do sítio de onde provinha, o Príncipe Supremo dos Palhaços Alegres, a Princesa dos Palhaços Tristes e duas crianças já meio crescidas, embora ainda recém nascidas, provindas das duas pérolas que a Princesa havia apresentado ao Príncipe. Pela primeira vez em mil anos, haviam nascidos duas crianças Palhaço de uma relação entre um Palhaço Alegre e uma Palhaça Triste e, ainda por cima, de Principes Herdeiros a ambos os Tronos do Planeta dos Palhaços.
Nem o Rei dos Palhaços Alegres, Pai do Príncipe Supremo, nem o Rei dos Palhaços Tristes, Pai da Princesa Herdeira, à frente de cada um dos exércitos oponentes, sabia agora o que fazer perante tal situação tão desconcertante e complexa, quando até ali haviam estado em guerra permanente.
O que fazer? Prender a ambos e condená-los à morte nos Vulcões ou simplesmente ir avante com uma grande batalha para ver quem ganhava a contenda e ficaria com o poder de prender quem quer que fosse aqui na questão.
Perante tal situação nunca antes vivida e face a tal enlace, só havia agora a via da conversa. Assim, ambas as partes decidiram montar uma tenda gigantesca a meias, metade situada no lado de cà e a outra, no lado de lá da fronteira. No centro, numa das partes laterais, ficaram sentados lado a lado, o Príncipe e a Princesa e os seus dois recém nascidos Filha e Filho, que já andavam e mexiam tão bem como uma criança Terrestre de 5 anos.
As conversas começaram, com ambos os Reis a tomar a palavra. O Rei dos Palhaços Tristes foi o primeiro a pronunciar-se, - Sua Alteza o Rei dos Palhaços Alegres, como sabe a nossa guerra tem mil anos de idade e não foi feita para parar, mas com este acontecimento não previsto, o que poderá propor Sua Alteza perante ambas as Côrtes?
O Rei dos Alegres, diz por sua vez:
- Sua Alteza Rei Palhaço Triste, perante tal acontecimento, só temos duas opções! Jogá-los aos Vulcões aos dois ou então, jogar as crianças de ambos e deixá-los a eles vivos e a sofrer do castigo de tal ato e fruto proibidos, perpretado perante nossos dois Povos.
O Rei dos Tristes, por sua vez disse:
- Sua Alteza dos Palhaços Alegres, sou obrigado a estar plenamente de acordo com as duas opções, pois, entre nós não poderá haver mais sensata solução para esta questão. Entre nós há guerra a mil anos e não será por esta bizarra ocorrência, apesar de ter sido perpretada pelos Principes Supremos, herdeiros de ambas as Côrtes, que vamos simplesmente perdoar-lhes e deixar as coisas assim, pois, a guerra tem de continuar entre nós, saibamos qual foi o motivo que a motivou ou iniciou ou não!
Nisto, ouviu-se uma voz vinda do alto da tenda e como se esta fosse transparente e trespassável, surge do nada um imponente Anjo todo vestido de branco sedoso, que mais parecia constituída por faixas sobrepostas de luz pura e luminescente, que a pairar no alto, disse, - Escutai-me bem ó Reis Palhaços! Mil anos de guerra já bastam. Chegou a hora do entendimento e da paz, e esses, ei-los aqui ao vosso lado simbolizados, são o Príncipe dos Palhaços Alegres e a Princesa dos Palhaços Tristes, que acabaram de à vossa frente, de selar um verdadeiro tratado de amor e de harmonia entre os vossos dois Povos. De ora em diante, eles como Principes Herdeiros de ambos os Reinos, casarão e serão o supremo símbolo da união dos Povos do Planeta dos Palhaços, e seus filhos chamar-se-ão em lembranca disso, Amor, ele, e Harmonia, ela...
A partir deste momento, todos aqueles que tiveram no lado da guerra, irão servir como Palhaços num Planeta chamado Terra e lá, a título de redenção pelos seus atos, irão servir para fazer rir, ou no papel de Bobos das Côrtes Terrestres, ou como simples Palhaços nos Circos e noutras atividades circenses, para animar crianças humanas e por aí afora.
Os Nobres e os mais Altos Dignatários, esses irão criar Escolas para ensinar a arte da Palhaçada aos Terrestres, para que aqueles se distraiam e aprendam a rir, a humorizar e a brincar, sobretudo, naqueles momento em que isso for necessário, e naqueles maiores períodos mais sombrios, de crise ou de tristeza e onde haja necessidade de manter a fé, a boa disposição e a moral, acima de tudo.
Dito isto, todos aqueles mentores, fazedores e partidários da guerra, foram levados pelo Anjo para a Terra e por lá andam até os dias de hoje como Palhaços, enquanto no Planeta dos Palhaços, reina agora a união, a paz plena, o amor e a harmonia...
FIM
MANUEL DE SOUSA
Luanda – Angola
