A bem da Nação

O PAPA BENTO XVI E OS SINAIS DOS TEMPOS – 3

 


Do Perigo dos Talibans da Opinião e dos Monopolistas da Verdade


O ser (o Bem) é mais que o valer (Valores)


 


 


Os Talibans da Opinião


 


A Igreja tal como o ser humano é santa e pecadora. Somos portadores da gene divina e da gene “diabólica” tanto a nível individual como institucional. O problema da arrogância tanto institucional como individual vem da propensão para a auto afirmação/individuação à custa de alguém; por trás duma crítica destrutiva ou duma afirmação absoluta esconde-se um grande ego que se branqueia, esquecendo o aspecto negativo da própria gene. Daqui resulta uma crítica destrutiva, exclusivista que esquece o aspecto complementar de tudo o que é real, não notando que a certeza com que se condena o adversário tem o mesmo fundamento do que se condena ou defende e o mal e o bem que se encontra no outro se encontra latente em nós também.


 


Por vezes predomina a maldade do julgamento e a absolutização da própria opinião perante a razão. Muitos papitas aproveitam-se do que acontece no Vaticano para vociferar contra o Papa identificando a Igreja e o Papa com o Vaticano. Forças políticas e económicas, da globalização estão interessadas em enfraquecer a voz da primeira organização global que manifesta a voz de quem não tem voz; interessa-lhes ter o povo indefeso à disposição sem alguém que lhes leia os Levíticos. Uma instituição com a missão de garantir a continuidade dos valores fundamentais não poderá agradar nem a tradicionalistas nem a progressistas, nem tão-pouco ao turbo capitalismo e às ideologias. A sua missão é mediadora no seguimento humilde do Espírito.


 


A Igreja petrina terá de continuar a assegurar a memória de Cristo e de viver na convergência, a exemplo do seu Mestre, para poder garantir a continuidade. Espera-se da Igreja o discernimento de distinguir entre o espírito (o bem) e os valores, entre o ser e o valer. Facto é que o espírito/o bem é e os valores valem. O espírito é eterno e permanente, os valores são circunstanciais, limitados. O espírito, o bem (o ser) é mais que o valor (o que vale moralmente). O que vale aqui (ocidente) pode não valer acolá no oriente. Os valores estão ao serviço do ser, da felicidade. Bento XVI actuou no sentido duma ética do ser, uma ética da convergência. A crítica positiva ou negativa ao seu actuar tem mais a ver com posições legítimas mas que não podem ser dogmáticas nem infalíveis; ao contrário do que se observa na expressão pública.


 


Na vida real primeiro vem o comer e só depois o dever. A moral (dever) não pode porém ser subjugada ao comer, ao espírito do tempo que julga tudo pela onda (situação) em que se encontra envolvido, fazendo dela um dogma. A polarização e o ecletismo não levam a nenhum lugar, o que importa é a síntese. Neste sentido Bento XVI usa um discurso modesto e irénico (conciliador, integrador) e não apologético dialéctico. Há muito que aprender dele.


 



Fumo negro a sair da chaminé da Capela Sistina no Vaticano: Sede vacante, ainda não há Papa


 


A vacância papal


 


A vacância papal começa no dia 28 de Fev. às 20 horas. O conclave dos cardeais será convocado para Março. Bento XVI recolher-se-á no mosteiro carmelita do Vaticano. O novo Papa será eleito pelos cardeais (120) que ainda não atingiram os 80 anos de idade. O Papa para ser eleito terá de conseguir dois terços de todos os votos.


 


Especulações de possíveis cardeais papáveis fazem referência aos cardeais: Peter Turkson do Gana, Francis Arinze da Nigéria, Otto Schrerer do Brasil, Marc Quellet do Canadá e Ângelo Scola da Itália.


 


Resta esperar que os cardeais reunidos em conclave se abram ao Espírito Santo, conscientes de que a Igreja não é o Vaticano, mas que o Vaticano tem muita responsabilidade, não se podendo deixar subjugar por interesses de poder ou de facções.


 


FIM


 


 António da Cunha Duarte Justo

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