A bem da Nação

O MEU AVÔ E SALAZAR – 5

 


 


Enquanto prestou serviço nos Lanceiros de El-Rei, conviveu com alguns dos heróis das campanhas de África, designadamente com o legendário Mouzinho de Albuquerque. Estava pois ao corrente da “cultura” que essa plêiade de militares procurava introduzir, tanto nas forças armadas como na vida política portuguesa. Tratava-se de um ideário de dedicação incondicional ao bem público, exaltação da missão civilizadora de Portugal em África e repúdio das intrigas e do “clientelismo” que infestavam a política nacional. Era a “Escola de Mouzinho”, para aceitação da qual o herói sacrificaria a sua vida. Respeitando embora as premissas destas propostas, o meu Avô nunca se deixou por elas seduzir, até porque sentia um certo desequilíbrio nas ideias e no comportamento do seu proponente. O assassinato do Rei, em 1908, exactamente quando D. Carlos decidira aderir ao espírito da escola de Mouzinho, veio pô-lo de sobreaviso quanto ao mérito da transposição para a estrutura do Estado de ideias e projectos cozinhados no calor das campanhas militares. Mouzinho não foi o seu herói. Se alguma figura histórica lhe servia de referência esta seria a do Condestável. Nele via a convergência de vocações simbolizada pela ogiva gótica: a fé e a defesa do reino. A seu tempo, fundaria com outros militares a cruzada Nuno Alvares.


 


Além deste patrocínio, a sua ideia de cultura militar manteve-se fiel ao espírito da Cavalaria. Procurou e conseguiu entusiasmar os seus colegas nas virtudes do desporto hípico, como escola de formação do carácter e de valor militar. O mérito desta atitude foi reconhecida e endossada quando, em 1909, a Escola Prática de Cavalaria convidou o capitão Oliveira para membro do Júri do Campeonato do Cavalo de Guerra. E foi mais longe: promoveu a criação da Sociedade Hípica Portuguesa para estabelecer um centro de convívio aberto a militares e civis empenhados no desenvolvimento em Portugal das práticas equestres. Entendia pois que as virtudes do bom militar podiam ser compartilhadas com a sociedade civil.


 


(continua)


 


Luís Soares de Oliveira.jpg Luís Soares de Oliveira

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