A bem da Nação

O EMPENHAMENTO DOCENTE EM GREVE

 


 


A fábula que Fedro escreveu


“Pullus ad margaritam”


Tem muito a ver com a nossa indignação


Ou com a reacção


Das nossas almas e corpos


Quando depois duma boa discussão,


Inútil como todas as que o são,


Desistimos com a expressão


Deitar pérolas a porcos


Única que valoriza


O nosso ego entristecido


Por tanto cuspo emitido


Sem resultado


Apetecido.


E merecido.


 


Num esterqueiro um galo esfomeado,


Quando procurava alimento,


Uma pérola encontrou


Que o escandalizou.


“Precioso objecto, disse ele


Em bem indigno lugar


Te encontras enfiado.


Se alguém ávido do teu valor


Aqui te visse,


Em breve volverias


Ao teu antigo esplendor.


A mim, que te descobri


Aqui,


Mais útil como alimento


Me serias.


Mas não poderás ser-me útil


Nem eu a ti,


Já vi.


Dirijo esta fábula somente


Àqueles que não me compreendem


Minimamente.


 


São esses os do provérbio


Deitar pérolas a porcos:


Com efeito,


Não há como largar sentenças


Cheias de sabenças


Para nos elevarmos


Na consideração das gentes.


Entrementes,


As conclusões finais


Deste meu jeito,


São as de que os que mais


Trabalham para entortar


O mundo com os seus ardis


É que ganham os perfis


Para as vitórias finais


Nos monturos desta vida,


Por esses tão maltratada


Por esses tão desprezada,


Que não há pérola que valha


Para nos erguer da lama.


Assim são


Os donos dos sindicatos


Que apelam à rendição


Dos professores da nação


Numa questão de explosão


Dos destinos da nação.


Em minha opinião


Não há perdão.


 


 Berta Brás

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