Foi no dia 7 de Julho de 1664 que, gorado o assalto a Castelo Rodrigo, as forças castelhanas se reuniram nos campos da Salgadela, em Mata de Lobos, formando em posição de batalha perante as forças portuguesas que estavam sob o comando de Manuel Ferreira Rebelo, Mestre de Campo, com as funções de Sargento-mor da batalha que se seguiria.
O V Duque de Osuna já sem chapéu
Comandados pelo Duque de Osuna, D. Gaspar Tellez-Giron (1656-1694)[1], os castelhanos foram desbaratados e fugiram em direcção ao rio Águeda sendo que, apesar da fuga, sofreram pesadas baixas.
Mas nada melhor do que ler o relato dos acontecimentos que o Marquês de Buscayolo fez a Filipe IV de Espanha:
Não sei, Senhor, que improviso temor ocupou a nossa infantaria! Não encontro palavras para o explicar! Apenas tenho alento para o referir. Se se tivesse dado ordem para poisar as armas e fugir ao ouvir a primeira carga, não teria sido possível executá-lo com maior prontidão. Como rio que, saindo do leito, deita ao chão e arrasta consigo qualquer obstáculo, assim esta fuga tão repentina e sem ocasião atropelou os Oficiais e Cabos que a quiseram deter. Não menor desordem se seguiu na Cavalaria vendo-se abandonada pela Infantaria pois desapareceu num instante. Ficámos cada um como quem desperta de um profundo sonho em que parece ver numeroso exército e, abrindo os olhos, se fica só. O Duque, pela novidade do caso, tão irritado consigo próprio como com os outros, castigava-os para procurar fazê-los voltar; consigo quis ser mais cruel ficando só voluntariamente nas mãos dos inimigos, como teria acontecido se os Mestres de Campo D. Juan Flores e D. José Moreno não o tivessem obrigado a retirar-se, já que o ficar não era senão aumentar a nossa perda. Mas os Batalhões do Rebelde, conhecida a desordem, corriam à rédea solta no alcance da mais proveitosa vitória, carregaram com tal porfia o Duque e os poucos que haviam ficado, que lhe tiraram o cavalo nos desfiladeiros do Águeda; puderam mais vezes matá-lo mas, com o desejo de o fazerem prisioneiro, não o ofenderam. A sua [deles, portugueses] Infantaria deteve-se na pilhagem da carruagem. A sua [deles, portugueses] Cavalaria seguiu a nossa mas, pela muita vantagem, não pôde alcançá-la.
O próprio Duque foi apeado do cavalo que também fugiu e, para passar despercebido, entregou o chapéu emplumado a um subalterno. Chegou a Ciudad Rodrigo deitado numa carroça e teve que ficar de cama durante alguns dias para se restabelecer do vexame.
Fevereiro de 2015
Henrique Salles da Fonseca
BIBLIOGRAFIA:
- Manuel Braga da Cruz, “A Batalha de Castelo Rodrigo na Guerra da Restauração”, BROTÉRIA, Janeiro de 2015, pág. 7 e seg.
- Wikipédia (Duque de Osuna)
[1] D. Gaspar Téllez-Girón y Pacheco Gómez de Sandoval Enríquez de Ribera[] (Madrid, 25 de Maio de 1625 - 2 de Junho de 1694) foi um nobre, político e militar espanhol, V Duque de Osuna e Duque consorte de Uceda, V Marquês de Peñafiel, IX Conde de Ureña e Grande de Espanha, entre outros títulos. Serviu Felipe IV como General de Cavalaria durante a Independência de Portugal, foi Vice-rei da Catalunha (1667-9), Governador de Milão (1670-4), Conselheiro de Estado de Carlos II, Presidente do Conselho das Ordens e do Conselho de Aragão.
