A bem da Nação

O ALFA E O ÓMEGA – O PRINCÍPIO E O FIM

 


 


Quando se retira a última folhinha do calendário, as pessoas desejam-se umas às outras um bom Ano Novo como se o tempo se dividisse em folhas A4, correspondendo cada uma delas a um ano civil. Se assim fosse, cada folha teria a sua cor e nós, virando a folha, encontraríamos uma folha de outra cor, sobre a qual nada saberíamos, porque o futuro a Deus pertence, como dizia a minha avó.


 


Então, o que nos resta é a esperança, que é a chefe das virtudes.


 


A fé só existe se tivermos esperança em algo ou em alguma coisa. Temos, por isso, esperança em que o novo ano seja melhor do que o anterior.


 


Na verdade, a esperança rege toda a vida humana. Saímos de casa e vamos com a esperança de que cheguemos à paragem antes do transporte público. À entrada do emprego, temos a esperança de que o Chefe tenha acordado para o lado certo e que esteja de bom humor. Podíamos referir mais um milhão de ocasiões em que somos mantidos de pé, a andar ou a fazer outras coisas, porque guiados pela esperança.


 


Como o ano mudou recentemente, poderá não ser descabido reflectir sobre esta divisão do tempo em anos.


 


O tempo não tem princípio nem fim. Podem os cientistas dizer que o Universo tem mil milhões de anos, que eu não acredito que seja nesse princípio o começo do tempo. Se antes disso não existia nada, o que é que havia? Ou seja, o que é o nada?


 


Para mim, o nada não existe. Pode até haver matéria e anti-matéria, isto é, moléculas que se anulam. Não acredito que desse fenómeno fique o nada, porque o nada não existe, não cabe na inteligência do homem. Mesmo que fique um buraco, um buraco é alguma coisa. A confirmar este raciocínio rebelde, «algo» fez o Universo, que não existia há mil milhões de anos. Então, antes disso, já existia esse «algo», logo não se pode dizer que não havia nada. E seguindo este raciocínio, esse «algo» não teve princípio, porque teria de ter havido um outro «algo» antes, que tivesse feito este último «algo».


 


Logo, devemos concluir que o tempo não teve princípio nem terá fim, porque tudo acabaria no nada e o nada não existe.


 


Costumamos dizer que o tempo corre muito depressa, mas, na realidade, somos nós que andamos sobre ele, que deslizamos ao longo dele.


 


A ser assim, o virar da tal folha do calendário não representa, só por si, qualquer mudança para melhor ou para pior.


 


Faro, 13-01-2014


 


 Tito Olívio

0