A bem da Nação

NUCLEAR: YES, WE CAN !

 


 

Se há centrais nucleares espanholas velhas e perigosas junto à fronteira,

porque não havemos de ter das modernas e seguras cá dentro, nossas?

 

 

 

Agora que o petróleo começou a descer e bastante – 25 dólares por barril, em duas semanas, atingindo o valor mais baixo dos últimos três meses - é provável que as opiniões contra a energia nuclear em Portugal não se façam esperar e tentem rapidamente sobrepor-se àquelas que, muito por força das circunstâncias, é verdade, se fizeram ouvir à medida que o recente estado de pré-pânico se foi instalando e dominando o pensamento colectivo.

 

Declaração de interesses: nada tenho a ver com a indústria nuclear, nunca tive. Sobre a energia nuclear, formei a minha opinião há já alguns anos. Transformei-a, depois, numa opinião final, digamos, fechada. No entanto, não dogmática. De resto, há cerca de três anos, quando acompanhava Ribeiro e Castro na condução dos destinos do CDS, tive a possibilidade de revisitar o assunto, confirmar convicções e, até, actualizar argumentos. Com a visão política que hoje, mais do que ontem, muitos lhe reconhecem, Ribeiro e Castro achava que o assunto não poderia deixar de ser debatido em Portugal. Mais: devendo deixar de ser um assunto tabu, era cada vez mais urgente discuti-lo num amplo e sério debate nacional. Fazia parte das matérias que Ribeiro e Castro incluíra no que baptizara de "aprofundamento do pensamento estratégico sobre o país" e que o grupo dirigente do CDS de então adoptou e seguiu. O CDS lançou, portanto, o desafio. Iniciámos o debate no partido e também no Portugal do século XXI. Em Junho de 2005. Agora, só agora, em Julho de 2008, alguns fizeram valer o peso da sua voz para quebrar o tonitruante silêncio que tem envolvido o nuclear, isto é, a produção de energia nuclear em Portugal. Mas foi preciso apanhar o petróleo a jeito!

 

Nós podemos debater seriamente o nuclear; é escusado adiarmos mais esse debate. Nós podemos decidir informadamente sobre o nuclear; já não é cedo para tomarmos essa decisão. Por muito que não o queiramos – e, objectivamente, queremo-lo – vamos continuar a gastar cada vez mais energia. E como nós, haverá cada vez mais povos de cada vez mais países a quererem gastar cada vez mais energia. Porque, na sociedade em que vivemos, energia significa desenvolvimento, progresso, conforto. Significa qualidade de vida. E quanto mais necessitarmos de desenvolvimento ou progresso e conforto quisermos ter, mais energia vamos ter de dispender. É por isso que a solução só pode ser: primeiro, dispor de energia; segundo, dispor de energia barata; terceiro, dispor de energia barata e abundante; e, quarto, dispor de energia barata, abundante e limpa.

 

Perguntar-se-á, então: deveremos apostar tudo no nuclear? Deveremos apostar tudo na produção de energia nuclear em Portugal? Não, claro que não. Não devemos tornar dispensável o que é indispensável – e a verdade é que toda a energia é indispensável. Não, não deveremos apostar tudo no nuclear. Mas, se em Portugal já consumimos energia produzida em centrais nucleares – portanto, virgens não somos – e se em Espanha, e até na sua fronteira com Portugal, há já muitos anos que existem centrais nucleares – e não agimos para que a Espanha as desmantele – porque será, afinal, que não podemos produzir energia nuclear em Portugal?

 

 

 

Lisboa, 1 de Agosto de 2008.

 

Martim Borges de Freitas

 

 

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