A bem da Nação

NO CAMPO DE KULIKOVO 3 - 4

 


 


3


 


 


Na noite em que Mamay se posicionou com a horda


Na estepe e nas pontes,


No campo escuro estávamos eu e Tu,--


Sabias?


 


Em frente do Don, negro e ominoso, 


No meio dos campos noturnos,


Ouvia eu a Tua voz com coração profético


Nos gritos dos cisnes.


 


Desde a meia-noite, como uma nuvem subia


O exército do príncipe,


E ao longe, ao longe,  a mãe contra o estribo batia 


E se lamentava.


 


E, desenhando círculos, as aves noturnas


Crocitavam ao longe.


E sobre a Russ'  silenciosos relâmpagos


Espreitavam o príncipe.


 


O grito de uma águia sobre o campo tártaro


Ameaçava desgraça,


E o Nepriadva adornava-se de névoa,


Como princesa com o véu de noiva.


 


E com a névoa sobre o Nepriadva dormente,


Direita a mim


Tu desceste, com vestido de luz radiosa,


Sem me espantar o cavalo.


 


Com a  onda argêtea tu rebrilhaste  o amigo


Na espada de aço,


E refrescaste a poeirenta cota de malhas


No meu ombro.


 


E quando de manhã,  como nuvem negra


Se movimentou a horda, 


A Tua face  sagrada estava no escudo


E brilhava para sempre.


 


4


 



 


Mais uma vez com a secular tristeza


Vergam para a terra as hastes herbóreas.


Mais uma vez além do rio enevoado


Tu me chamas de longe.


 


Partiram a toda a pressa, desapareceram sem vestígio


As manadas das éguas da estepe,


Soltas as paixões selvagens


Sob o jugo do quarto minguante.


 


E eu com  a secular tristeza,


Como um lobo sob o quarto minguante


Não sei que fazer comigo, 


Para onde  vou eu voar contigo!


 


Ouço o estrépito da batalha


E os gritos das trombetas dos tártaros,


Vejo sobre a Russ' mais ao longe


O grande e silencioso incêndio.


 


Envolto por uma imensa tristeza,


Dou guinadas ao meu cavalo branco...


Cruzam-se nuvens livres


Nas enevoadas alturas noturnas.


 


Levantam-se pensamentos brilhantes


No meu coração lacerado,


E caiem os pensamentos brilhantes,


Queimados por um fogo sombrio...


 


"Aparece, meu divo divino!


Ensina-me a ser brilhante!"


Levanta-se a crina do cavalo...


Com o vento clamam as espadas.


 


 


 


Tradução a partir do original russo de Joaquim Reis


 


 


Sobre Alexandr Alexandrovich Blok v. p. ex. http://en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Blok

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