A bem da Nação

NÃO VALE A PENA TER PENA

 


Recebi por email o texto seguinte, que me preencheu as medidas da felicidade - não muito altas, confesso, por deficiência de tamanho físico - no retorno a uma época recuadíssima, da leitura das histórias infantis, em que os bons cumpriam e eram elogiados, em vidas promissoras do Bem sucessivo - embora esta conclusão nem sempre fosse contida no enredo mirífico - e os maus não cumpriam, merecendo por isso o castigo, extinto após o arrependimento ? cláusula também nem sempre aí contida. É certo que as leituras posteriores apontavam outros caminhos, mais ou menos poderosos de criatividade e conhecimento psicológico, mas nem sempre negativos, temos que confessar.


Gente boa e menos boa sempre houve nos anais da História. O texto do email pertence à da primeira categoria, mas já o Dom Quixote topou com personalidades de diferentes categorias morais, na sua Mancha, não podemos generalizar as convicções feitas de optimismo confiante na delicadeza castelhana.


Eis o texto:


Nuestros hermanosnão só não inventaram o CES e a sobretaxa especial como, ao nível de Estado, ainda garantem que as pensões subirão todos os anos seja qual for a situação económica e que nunca poderão ser congeladas. E comunicam isso mesmo a cada reformado pessoalmente por carta, com un cordial saludo, em conjunto com outra carta onde comunicam o aumento específico de 2014 a cada reformado.


Senti inveja, é claro, ciente que estava de que os velhos do meu país há muito que constituem encargo a exterminar, segundo doutas opiniões, que atribuem essas intenções a quem governa, embora sabendo que são falsas e mal intencionadas. Os velhos no meu país estão inclusos no mesmo plano de austeridade que abarca os novos excluídos, naturalmente, da lista, os que nunca sentiram, felizmente, as comichões das dificuldades, favorecidos que foram sempre pelas auréolas da prosperidade.


Devíamos pensar mais em conceder ao Governo o crédito da confiança, e esperar por um recomeço mais digno para nós, novos e velhos. Esperemos por Maio, o mês das flores para ver se algo mudará por cá.


A mudança está em nós, é certo, e não julgo que alguma vez nos aconteça o que, segundo o email, acontece em Espanha a manutenção dos vencimentos dos velhos, o aumento anual e a delicadeza no envio das cartas informadoras. Não por defeito dos Governos, mas por defeito nosso. Seria apenas uma história da carochinha para acrescentar às da infância de outrora.


 Berta Brás

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