A bem da Nação

NA OCIDENTAL PRAIA LUSITANA - 6

 


 


 


HISTÓRIAS CARISMÁTICAS


Reinava D. João III quando, lá para as bandas da Córsega, o então jovem adulto D. Manuel de Sousa Coutinho foi pirateado e levado para Argel na precária condição de «alimento» do negócio do resgate de cristãos cativos em terras de Mafamede. No cativeiro, teve a companhia de um tal Miguel de Cervantes y Saavedra… um, escreveu em reconhecidas maiúsculas; o outro tem quem o recorde; um, descreveu o mundo fantasioso e inútil em que vivia a elite espanhola por contraste com o rude pragmatismo popular; o outro, não.


Depois de resgatado, D. Manuel ficou-se pelas Espanhas… até que regressou à sua Lisboa natal. Casou com D. Madalena de Vilhena, tida por viúva de D. João de Portugal, desaparecido em Alcácer Quibir. O novo casal teve uma filha que não vingou.


Grassando a peste em Lisboa, refugiaram-se em Almada instalando-se confortavelmente.  Educado e activo, D. Manuel desempenhou diversos cargos de nomeação régia, mas, sobretudo, foi escolhido por três vezes pelos seus pares mesários para Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Almada.


Mas a História nem sempre parece ser como no-la contam e …


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… neto de D. Manuel I de Portugal, a Filipe II de Espanha meteu-se-lhe na cabeça que havia de reinar em toda a Península pelo que o jovem Rei D. Sebastião era um empecilho que tinha de ser arredado. Começou por fazer com que a mãe do jovem Rei regressasse à sua Espanha natal deixando o Monarca infantil de Portugal entregue à educação ministrada por tutores escolhidos por si, Filipe II, a fim de imbecilizarem a imatura real cabeça lusa com sonhos de cruzada e glória cristã contra o famigerado Islão.


E também havia que evitar que o rapaz se virilizasse pondo mais algum herdeiro a caminho. A expedição contra moirama tinha de ser gloriosa. A força portuguesa de combate incluía a fina-flor da heráldica militar do Reino.  Avisadas, preparadas e quiçá apoiadas pelos espanhóis, às forças sarracenas foi fácil atrair as nossas tropas para um atoleiro onde ficaram à mercê da adaga inimiga… quem sobreviveu rumou ao cativeiro. Só poder do Rei de Espanha conseguiria fazer as delícias dos mouros pagando-lhes um real resgaste por D. Sebastião. E, se assim foi, assim terá começado o cativeiro espanhol do Rei português. Este, sim, o cativo que interessava a Filipe II; todos os demais que servissem o negócio da moirama. O Cardeal Rei, D. Henrique exauriu as finanças da Coroa de Portugal no resgate de captivos em Marrocos. Mesmo assim houve quem penasse mais de uma vintena de anos. Terá sido o caso de D. João de Portugal que, depois de desaparecer e ter sido dado como morto, surgiu em Almada sem outro propósito que não fosse o de infernizar a vida do inocente casal. Deixou também no ar a possibilidade de tão longos cativeiros não serem de martírio, mas sim de luxo.


O próprio «Infante Santo» poderá ter-se «convertido ao Islão» passando a constituir peça triunfal dos Marroquinos. Sim? Não? Talvez!


E não bastara esta «ressurreição» de D. João e logo de Lisboa lhes surgiu um oficial da justiça requisitando a mansão para uso de importantões que fugiam da peste que matava na cidade-capital. Furioso, D. Manuel deitou fogo à casa e pôs-se a milhas. Os importantões que se aquecessem ao borralho! E os tempos passaram… Foram ao Panamá e ao Peru e voltaram a Lisboa para abraçarem a vida religiosa.  D. Madalena ingressou no Convento do Sacramento, à Pampulha, assim passando ao esquecimento do mundo; ele rumou a Benfica para se fazer dominicano passando a denominar-se Frei Luiz de Sousa.


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E assim fica escrito o que João Baptista. Visconde de Almeida Garrett, não escreveu.


 


Julho/Agosto de 2025


Henrique Salles da Fonseca


BIBLIOGRAFIA: Wikipédia

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